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sábado, 3 de dezembro de 2016

Guia do professor sobre prevenção ao cyberbullying



A seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com apoio da Secretaria Estadual da Educação, lançou ontem guia do professor sobre prevenção ao cyberbullying - Recomendações e boas práticas para o Uso seguro da Internet para Toda a Família.
O material reúne questões legais e éticas que devem ajudar o atendimento dentro e fora de sala de aula. A proposta é que a cartilha se some ao trabalho já realizado na rede estadual com os professores mediadores e o Sistema de Proteção Escolar.
Desde 2010, o programa capacita educadores para atuar diretamente na prevenção e mediação de conflitos em unidades de ensino fundamental e médio.
O bullying e as consequências desse tipo de intimidação também são temas recorrentes de ações da OAB. Em 2015, a entidade formalizou a Comissão de Direito Antibullying. (AZ).
Fonte: http://www.comerciodojahu.com.br/


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Cibercrime no Ambiente Escolar




O espaço virtual – a Internet e em especial as redes sociais -, com todas as suas virtudes e contributos para o progresso humano, é um campo fértil para a manifestação de atitudes censuráveis, não raras vezes de coloração criminal. O meio escolar é propício à expansão de alguns desses comportamentos desviantes, que importa conhecer para melhor os enfrentar e combater.
Neste webinar serão abordadas questões relacionadas com o cibercrime no ambiente escolar.
Pedro Verdelho
Magistrado do Ministério Público desde 1990.
Entre outros tribunais, exerceu funções no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, na secção especializada na investigação de crimes informáticos. Foi docente do Centro de Estudos Judiciários, na área penal, da qual foi coordenador. Representante de Portugal na União Europeia e no Conselho da Europa, em assuntos relacionados com a cibercriminalidade. Presentemente, coordenador do Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

GUIAS da Plataforma de Infância

Guía Práctica del Buen Trato al Niño

Jesús García Pérez - Presidente de la Asociación Madrileña para la Prevención del Maltrato Infantil (APIMM). Unidad de Pediatría Social. Hospital Infantil Universitario Niño Jesús. Madrid; Venancio Martínez Suárez - Vicepresidente de la Sociedad Española - de Pediatría Extrahospitalaria y Atención 

Descripción: El “Buen Trato al niño” y las buenas prácticas educativas en el ámbito familiar siguen siendo las bases fundamentales para la socialización y formación de la personalidad de cada niño. Esta guía da unas pautas para ese buen trato.  


Ciberbulliying: prevenir y actuar
Autoría: José Antonio Luego Latorre; 
Editorial: Colegio Oficial de Psicólogos de Madrid; Entidad: Fundación Atresmedia y Colegio Oficial de Psicólogos de Madrid
DescripciónGuía de recursos didácticos para centros educativos. Estado de la cuestión, escenarios de riesgo, el modelo de aprendizaje-servicio, ejemplos de acciones didácticas, protocolo de intervención en situaciones de conflicto y referencias normativas.

Guía de Género. Identidades y cuidados

Autoría: Alicia Bustamante Mouriño; Editorial : Plataforma de la Infancia; Fecha: 14 mayo 2013
Descripción:  Es una Guía Metodológica dirigida especialmente para trabajar con niñas, niños y adolescentes los mensajes rosas y azules. Es decir, el enfoque de género desde una perspectiva constructiva, ayudando a comprender cómo a veces si no prestamos mucha atención a cómo está organizada la sociedad en la que vivimos, ellos y ellas podrán ser y hacer lo que deseen, sin estar obligados a comportarse de una manera u otra por ser hombres o mujeres. Se compone de seis fichas didácticas sobre la igualdad de derechos, reflexiones sobre los roles y estereotipos de las mujeres y de los hombres, entre otros temas, que contribuyen a trabajar el enfoque de género desde una perspectiva más constructiva. 



El fiscal y la protección jurídica de los menores de edad. Guía práctica

Autoría: Consuelo Madrigal Martínez-Pereda ; Editorial: Fundación Aranzadi Lex Nova;  Entidad: Fundación Aranzadi Lex Nova y Fundación Aequitas

Fecha: 19 marzo 2014
Descripción: El documento tiene el propósito de ofrecer una exposición resumida de las materias que abarca actualmente la labor de los Fiscales especialistas en protección de menores, con la intención de ofrecer una visión global y no exhaustiva en forma de guía introductoria.

Retirados de 
http://plataformadeinfancia.org/

quarta-feira, 2 de julho de 2014

CIBERBULLYING Prevenir y Actuar


http://www.copmadrid.org/ 

Hacia uma ética de las relaciones em redes sociales
Guia de recursos didácticos para centros educativos
Autor: José Antonio Luango Latorre
Fundación A Tresmedia
Colégio Oficial dos Psicólogos de Madrid
2014

Retirado de 
http://www.observatoriodelainfancia.es

quarta-feira, 21 de maio de 2014

APAV para jovens



Associação de Apoio à Vítima para Jovens (APAV para jovens)
Trata-se de um website com informação sobre diferentes formas de violência, estratégias de segurança e de procura de ajuda, competências para a resolução de conflitos e outros desafios sociais.
Ao acederes encontras informação sobre:
  • violência doméstica; 
  • violência no namoro;
  • bullying;
  • violência online; 
  • segurança na rua; 
  • segurança na internet; 
  • violência sexual;
  • segurança em ambientes de diversão; 
  • testemunhar em tribunal; 
  • segurança na escola.

O projeto LEAD - inform to prevent envolve este website, e as seguintes ações: 
- campanha publicitária de sensibilização e informação, que sensibilize estas populações para a procura de ajuda em caso de experiências pessoais de violência e informe sobre comportamentos pessoais promotores da segurança;
- agenda escolar com informação sobre diferentes formas de violência, estratégias de prevenção, de segurança pessoal, de procura de ajuda e de resolução de conflitos e outros problemas sociais.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Módulo 1 – Cyberbullying (Segura Net)




ACEDER em
http://seguranet.mooc.dge.mec.pt/modulo-1/  - vídeos e outros recursos, tais como: 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

programa Vencer o Bullying


Vencer o Bullying é uma organização de solidariedade social para prevenir, trabalhar e propagar a ideia de que o bullying não é aceitável, não só em Portugal como na Europa.
Nós acreditamos que ninguém deverá sofrer, ter medo ou isolar-se por ser vítima de bullying, e toda a gente tem o direito de estar resguardado de ser vítima de bullying, violência e perseguição.
O programa vencer o Bullying pretende parar com o bullying e manter as crianças e jovens seguros.
ACEDER: http://www.beatbullying.org/ (agora em língua portuguesa)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

DECO promove conferências sobre os desafios do mundo digital

"Achas que tudo o que vem à rede é fixe?". Esta é a questão lançada aos jovens portugueses pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO).

De forma a auxiliar os jovens a responder a essa questão, a associação iniciou um conjunto de 18 conferências (disponíveis online), denominadas NETtalks, em todos os distritos do país.  


Destinatários
Segundo a DECO, estas conferências são direcionadas para os alunos do 3.º ciclo do ensino básico ou do ensino secundário/profissional

Objetivos
O principal objetivo é alertar os jovens "para assuntos tão importantes como direitos digitais, as regras de segurança e de privacidade online". Outras metas eleitas passam pela disseminação de informação acerca de conceitos de direitos de autor, cyberbullying, downloads ilegais e cuidados que os jovens deverão ter com publicidade e redes sociais.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Bullying - Manual Interativo para professores



This Interactive Training Tool is part of the program European Anti-Bullying Campaign against Bullying. The purpose of the specific tool is the substantial understanding from behalf of students of the Bullying phenomenon through their direct participation.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Olha lá, quem és tu para falares das pessoas dessa maneira?

jovens que se suicidaram, vítimas de cyberbullying (da esq. para a dir): Hannah Smith, Ciara Pugsley e Josh Unsworth


CYBERBULLYING - como funcionam os recreios virtuais

"Ela é um lixo. É gorda, feia, horrível. Gozem com ela no Ask dela"
- Já fizeste sexo bitch????
- O sexo fez-me!
- És virgem?

- [Risos] Devias ir comprar um cérebro. Nem que seja de plástico.

No Ask.fm, fazem-se perguntas e obtêm-se respostas. Neste diálogo, as respostas são dadas por uma rapariga do Porto que não terá mais de 14 anos.
No Ask.fm, também se fazem pedidos. As respostas também podem ser filmadas.

- Mostra um sutien (sic).
- Mostra a barriga.

No Ask.fm, diz-se o que se pensa dos amigos, classifica-se numa escala de zero a 10 a beleza dos colegas, fala-se de sexo.
- Vocês criticam e "gozam" toda a gente pela maneira de ser e pela orientação sexual?? Só porque é bissexual já é motivo para gozar? Cada um é como é e vocês não têm nada a ver com isso!! Metam-se na puta da vossa vida crl!
No Ask, elegem-se alvos entre os colegas, traçam-se estratégias de perseguição, como divulgar o número de telemóvel de uma rapariga lá da escola e desafiar a comunidade:

- 911 XXX XXX Liguem a esta puta nojenta. Ela é um lixo. É gorda, feia, horrível. Com apenas 13 anos já fodeu e fode a 5 euros [...]. Gozem com ela no Ask dela.
Ou:
- Ela n ouve musica de jeito, so ouve merrrrrda!!!! gosem kom ela no ask dela!!! (sic)

Todos estes diálogos pertencem a utilizadores portugueses, de 13, 14, 15, 16 anos... No Ask.fm, há crianças e adolescentes que se identificam, põem o nome, a foto, o endereço de email, do Facebook. E outras pessoas que não se sabe se são crianças ou adultos, porque preferem o anonimato. Há portugueses, ingleses... São, em todo o mundo, 60 milhões os utilizadores. A rede social tem estado no centro da polémica no Reino Unido depois da morte de Hannah Smith, no início de Agosto. A menina de 14 anos foi encontrada enforcada no quarto - o pai diz que ela se matou depois de ter sido vítima de insultos violentos e continuados no site. Segundo o jornal The Guardian, os suicídios de seis outros adolescentes nos últimos meses podem estar relacionados com o cyberbullying cometido no Ask.fm.
Aqui, as conversas descambam facilmente. Não é que não haja diálogos inocentes. Há muitos. A maioria. "Que música descreve o teu dia? O que achas da comida da cantina?" E palavras doces, troca de elogios, "és linda", "és o meu mano". Mas também há o resto. E o resto é adultos a meter conversa com crianças e crianças a elegerem como alvo outras crianças. O que as faz ficar aqui, tantas vezes, mesmo quando o ambiente fica pesado? Ana Tomás de Almeida, do Departamento de Psicologia da Educação da Universidade do Minho, vale-se de uma imagem do mundo animal: perante um ataque, a vítima de um predador pode "ficar paralisada pelo medo", os músculos não reagem. Será o que se passa com alguns destes jovens: são "vítimas do efeito predatório". As pessoas que não conhecem a forma como funcionam estes sites, continua a investigadora que participou num estudo internacional sobre cyberbullying, podem achar que a solução para alguém que está a ser vítima é simples: bastaria desligar o computador, abandonar o fórum para sempre. "Mas, para muitos miúdos, e muitos adultos também - porque isto não se passa apenas com adolescentes -, aquele é o seu círculo social; sair do grupo significa enfrentar o risco de ficar sozinho. E muitos calam o sofrimento, negam que ele exista, e não saem."

Em teoria, não é assim tão diferente do que se passa no bullying tradicional - as ameaças mais ou menos veladas e os insultos que se suportam em segredo nos recreios e corredores da escola. Mas tem outro potencial. Na Internet, uma mensagem ofensiva difunde-se num ápice. "É difícil apagar." E o número potencial de agressores é muito maior - qualquer um pode ser, não é preciso ser forte para dominar, como acontece no recreio do mundo real. Na verdade, há estudos que mostram que os bullies (agressores) no mundo virtual já foram, muitas vezes, vítimas na escola; vingam-se atrás do ecrã, a coberto do anonimato.
Segundo o projecto EU Kids Online, 6% das crianças europeias entre os 9 e os 16 anos foram alvo de bullying online. Em Portugal, apenas 2% dizem o mesmo. Ana Tomás de Almeida cita outro inquérito, feito por uma equipa que integrou, a 1600 adolescentes dos 13 aos 18 anos, em Lisboa e Braga: 10% tinham já sido vítimas de cyberbullying.
O estudo internacional Health Behaviour in School-Aged Children, da Organização Mundial de Saúde, mostra como está bem mais generalizado o bullying presencial: 32,1% dos cerca de 5000 adolescentes portugueses entrevistados disseram que, no ano anterior ao inquérito, tinham sido provocados, em média, uma vez por semana. E cerca de 60% referiram já ter assistido a situações de bullying. A maioria viu, "não fez nada e afastou-se".No mundo virtual não é diferente.
Este é um ponto-chave na prevenção do bullying tradicional como no cyberbullying: não só é preciso que professores e escolas estejam atentos ao fenómeno e lhe dêem o devido valor, como é necessário envolver os pares numa pedagogia de condenação deste tipo de comportamentos: "As associações de estudantes, os grupos juvenis - as acções de prevenção têm que partir de quem está próximo" das vítimas, sublinha Ana Almeida.

Regresso ao Ask.fm: perante o ataque à jovem a quem alguém pede que infernizem a vida ligando-lhe para o telemóvel, há uma rapariga de 15 anos que responde: "OLHA LÁ, QUEM ÉS TU PARA FALARES DAS PESSOAS DESSA MANEIRA?!" A vítima, essa, fechou entretanto a conta. Já não está no Ask. Andreia Sanches Jornal Publico 23.8.13

Imagem retirada de http://www.telegraph.co.uk

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Cyberbullying hurts too





Armanda Matos: “O cyberbullying acompanha as crianças e os jovens até casa”.
Pode ser um problema multiplicado tantas vezes quantas o meio permitir. Emails insultuosos. SMS difamatórios. São exemplos de agressões que praticadas de forma repetida podem ser consideradas atos de cyberbullying e estar a vitimizar qualquer jovem e criança.
A intenção pode ser a de agredir, ameaçar ou insultar a vítima. O cyberbullying "é um ato agressivo intencional perpetrado através do recurso a dispositivos eletrónicos de comunicação, como a Internet e o telemóvel", define Armanda Matos, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Coimbra.

Mas algumas situações de
cyberbullying podem estar a ser "encaradas com alguma ligeireza", alerta a investigadora que, em Portugal, integra uma equipa que participou na elaboração de um manual europeu sobre esta problemática. "Qualquer suspeita de que possa estar a acontecer um ato de cyberbullying tem de ser levada muito a sério."

"Agir Contra o
Cyberbullying", assim se intitula o manual, foi pensado para a formação de formadores que trabalham a problemática com diferentes grupos-alvo: pais, famílias, escolas, jovens e crianças. Inserido no projeto CyberTraining, a criação do manual envolveu oito países: Alemanha (coordenação), Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda, Bulgária, Suíça e Noruega. E foi apoiado pela Comissão Europeia através do Lifelong Learning Programm e do sub-programa Leonardo da Vinci.

A importância do tema tem suscitado a atenção de Bruxelas. Depois da elaboração do manual, os países envolvidos na iniciativa vão agora desenvolver cursos de formação em dirigidos aos pais. "As situações de
cyberbullying estão envoltas em algum secretismo, as vítimas e os agressores não contam a ninguém o que está a acontecer. Mas quando contam, fazem-no aos pais." E, aqui reside, segundo Armanda Matos, a justificação para este novo projeto.

A participação portuguesa no CyberTrainning for Parents fez-se através da mesma equipa da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Coimbra, que participou na criação do manual. Para além de Armanda Matos, Teresa Pessoa e João Amado compõem o grupo de investigadores portugueses.

Portugal terá a seu cargo a avaliação dos cursos que já estão a ser implementados nos diferentes países envolvidos no projeto. Armanda Matos adianta que estes cursos podem vir a acontecer em sessões presenciais mas também em regime de e-learning. Vão também ser dirigidos a formadores de pais. "Com vista a ter um efeito multiplicador", explica.

Em entrevista ao EDUCARE.PT, Armanda Matos, investigadora na área da educação para os media e das tecnologias da informação e comunicação, lançou algumas pistas para a compreensão do
cyberbullying. Um fenómeno desvalorizado que faz da Internet um aliado cruel.EDUCARE.PT (E): O que é o cyberbullying?
Armanda Matos (AM): É um ato agressivo intencional perpetrado através do recurso a dispositivos eletrónicos de comunicação, como a Internet e o telemóvel. Um dos critérios para se considerar estarmos perante uma situação de cyberbullying é o facto de esses atos acontecerem mais do que uma vez. Essa repetição pode ser quantificada através do número de vezes em que uma mensagem insultuosa ou imagens colocadas online são encaminhadas e visionadas.E: Uma repetição que sendo feita através da Internet pode ser infinita...
AM: Para além deste aspeto da repetição, há a intenção de agredir, ameaçar ou insultar, enfim, de causar danos à outra pessoa.E: Que formas assume?
AM: Depende do critério a considerar. Se nos centrarmos nos dispositivos utilizados podemos distinguir entre o cyberbullying cometido através da Internet, dos chats, do e-mail, das redes sociais, ou através do telemóvel, por SMS ou MMS enviados.

Mas podemos falar em diferentes modalidades em função da ação que é exercida. E, nesse caso, podem ser atos que visam o denegrir a imagem do outro, enviando mensagens ou colocando imagens que, de alguma forma, são insultuosas. Podem ser atos que consistam em discussões muito inflamadas no Messenger, ou na violação da privacidade e divulgação de dados ou de informação pessoal.

E existe ainda a despersonificação que é o ato de tomar a identidade da vítima e enviar e-mails ou mensagens fazendo-se passar por ela, dizendo mal dos seus amigos, e colocando-a numa situação muito delicada. Portanto, existem diferentes formas de exercer atos deste género recorrendo às tecnologias da informação e comunicação.
E: Este tipo de atos é mais comum do que se pensa?
AM: É mais comum do que se pensa porque as características do cyberbullying não estão devidamente divulgadas. Por isso, é natural que aconteçam atos deste género em diferentes contextos, mas que não são assim catalogados por não existir essa informação.

Em termos de frequência, há números diversos, porque as investigações partem de diferentes conceitos e instrumentos para medir o
cyberbullying. Por exemplo, uma coisa é perguntar se no último ano foi vítima de alguma ação deste género, outra é perguntar se alguma vez foi vítima de uma ação deste género. Isto conduzirá a resultados diferentes.

Mas há vários estudos que apontam para números que rondam os 10%, em diferentes países, sendo que um realizado pela Microsoft, em 2009, refere percentagens bem mais elevadas que rondam os 30%. Em Portugal, estão feitos estudos com amostras relativamente pequenas e que não são representativas, mas que têm apontado para os 6%.
E: De que modo se distingue do bullying?
AM: O cyberbullying tem várias características que lhe são específicas e que estão associadas ao seu impacto. Alguns autores consideram até que há um maior impacto no cyberbullying, embora esta posição não seja consensual. Uma das características é a possibilidade do anonimato, que não acontece sempre, mas verifica-se em muitas situações.

Por um lado, a vítima não sabe quem a está a agredir, a perseguir, a ameaçar ou a denegrir. Por outro lado, o agressor sente que está a atuar num ambiente relativamente protegido, uma vez que não sabem quem ele é. Esta situação deixa as vítimas numa grande vulnerabilidade. Outro aspeto interessante é que no
cyberbullying o agressor tem assim poucas possibilidades de perceber as consequências dos seus atos, ou seja, o impacto que pode ter na vítima.E: Enquanto no bullying o impacto é visível...
AM: E, por isso, a possibilidade de empatia em relação à vítima e de compreensão do seu sofrimento no cyberbulling é menor. Mas para além do anonimato, há outra característica que é particularmente importante: o facto de o cyberbullying poder ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar, ao contrário do que se passa com o bullying, onde há possibilidade de proteção uma vez que acontece nos recreios, nos pátios ou na saída da escola.E: Para evitar o bullying pode-se mudar o aluno de escola...
AM: O cyberbullying também tem levado a consequências desse género. Mas o que acontece muitas vezes é que os atos de bullying estão associados aos de cyberbullying, ou seja, acontecem simultaneamente. E: Alguns atos de cyberbullying são desvalorizados por serem vistos como brincadeiras. Isto é grave?
AM: Isso tem a ver com a falta de informação e a necessidade de sensibilização para a gravidade destes casos. Situações que podem ser encaradas com alguma ligeireza não o devem ser. Qualquer suspeita de que possa estar a acontecer um ato de cyberbullying tem de ser levada muito a sério. É obvio que quanta mais consciencialização houver para o problema mais fácil será identificá-lo e apoiar as vítimas. E: É a pensar na consciencialização que surge o manual europeu "Agir Contra o Cyberbullying".
AM: O manual foi pensado de forma a responder às necessidades dos diferentes grupos-alvo a que se destina. A construção foi fundamentada em dois estudos. O primeiro envolveu uma análise de necessidades de formadores de diferentes países da Europa, e foi conduzido pela equipa portuguesa. O segundo estudo foi conduzido pela equipa alemã, que é a coordenadora do projeto, e juntou diferentes especialistas para conhecer o estado da arte em relação ao problema e as abordagens que têm sido adotadas em vários países, para lidar e intervir. E: Disse que o manual não constituía um receituário...
AM: Porque deve ser usado de forma flexível conforme as necessidades dos formadores e dos formandos. Um formador que esteja muito familiarizado com as tecnologias da informação e comunicação (TIC) e as questões da segurança na Internet e vá trabalhar com os jovens que também utilizam as TIC e não tenham necessidade de conhecer os seus conceitos pode passar à frente o respetivo módulo. Se o formador vai trabalhar com pais pode começar diretamente no módulo que lhes é destinado ou aplicar alguma atividade interessante do capítulo dedicado aos jovens mas adaptando-a. E: Os professores podem usar o manual nas suas aulas?
AM: Um dos capítulos tem mesmo como tema o trabalho com escolas. O objetivo é dar apoio, informação e recursos aos diversos agentes escolares - psicólogos, professores, equipas específicas ligadas a projetos que se desenvolvem nas escolas - para poderem fazer formação sobre cyberbullying. Existem muitas sugestões de atividades no manual que os professores podem desenvolver com os seus alunos.E: O manual também se destina a trabalhar estas questões com os pais. Até que ponto isso é importante?
AM: É extremamente importante, porque o cyberbullying acompanha as crianças e os jovens até casa, não se circunscreve ao contexto escolar. As situações de cyberbullying estão envoltas em algum secretismo, as vítimas e os agressores não contam a ninguém o que está a acontecer. Mas quando contam, fazem-no aos pais. É muito menos frequente contarem aos professores ou a pessoas da escola. Por isso, os pais têm de saber o que fazer quando se veem confrontados com um filho que diz estar a ser vítima ou a vitimizar outros. E têm também de saber como detetar casos deste género, ou seja, que sinais e sintomas os filhos podem apresentar se estiverem envolvidos em situações deste género.E: Quais são os sinais mais frequentes?
AM: Alterações bruscas de comportamento relativamente ao uso das tecnologias, estamos a falar de uma criança ou jovem que habitualmente passe muito tempo no computador e de repente o ponha de lado. Ou que se sinta ansioso depois de estar a trabalhar no computador ou de usar o telemóvel. Situações de isolamento em que as crianças ou os jovens evitem o contacto com as outras pessoas. E depois existem sintomas físicos, como a ansiedade, o stress, a dificuldade em ir para a escola, por dores de barriga ou de cabeça. E: Mas esses são sintomas comuns ao bullying...
AM: Sim, sendo que o aspeto diferenciador são as mudanças de comportamento associadas à utilização das tecnologias.E: Existem crianças e jovens mais vulneráveis ao cyberbullying?
AM: Há grupos mais vulneráveis, tanto ao cyberbullying como ao bullying, que requerem mais atenção por parte dos adultos. Crianças ou jovens que apresentem algum tipo de deficiência, ou necessidades educativas especiais, que normalmente não "alinham" nos interesses e nas brincadeiras dos colegas, ou seja, que tenham um perfil um pouco diferente e se afastem da corrente principal e grupos minoritários, como os imigrantes.
Fonte: educare.pt