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quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Grupo PSISCOLAS - Profissionais de Psicologia em Contexto Escolar


O Grupo PSISCOLAS - Profissionais de Psicologia em Contexto Escolar - foi criado no dia 17 de Setembro de 2010 em Vila do Conde.
Constituído inicialmente por 25 membros da zona norte litoral, rapidamente se alargou às restantes áreas geográficas de Portugal. 
Actualmente, possui cerca de 200 membros, de norte a sul do país. 

É por isso um grupo de representação e expressão nacional dos/as psicólogos/as a trabalhar em contexto escolar.
ADIRA ao grupo no Facebook.




sexta-feira, 27 de março de 2015

Observatório sobre crises e alternativas




O Observatório criado pelo CES com coordenação de Manuel Carvalho da Silva, tem um triplo objectivo: tornar mais precisos o diagnóstico e a caracterização das crises que a sociedade portuguesa vive; acompanhar as políticas públicas, seus objectivos e meios mobilizados, seus resultados expectáveis e observáveis; identificar soluções e respostas que alarguem o leque de alternativas a considerar no debate público. Através de intervenções regulares, de relatórios anuais e da interacção activa com a sociedade através da sua página web, o Observatório centrar-se-á em quatro domínios: as relações entre finança e economia à escala nacional, europeia e global; as dinâmicas no mundo do trabalho e as vicissitudes do respeito pelo trabalho digno; o Estado social e os custos sociais das políticas de austeridade; a qualidade democrática (democraticidade, transparência e participação) das tomadas de decisão pública.

"No entender do Observatório, em vez de uma descida do desemprego, "é talvez mais adequado falar-se numa situação de estabilização do desemprego em níveis bastante elevados e de uma estabilização do emprego num nível bem mais reduzido do que o estimado no início do programa de ajustamento". 
E acrescenta que "a criação de emprego verificada recentemente assenta em bases frágeis", ou seja, excluindo dos valores oficiais os desempregados ocupados - quantificados como empregados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) - ter-se-ão destruído 463,6 mil postos de trabalho de 2011 até ao 2º semestre de 2013 e criado, a partir daí, apenas 37,9 mil postos de trabalho.
Por último, o Observatório salienta que o desemprego actual "é um desemprego mais desprotegido do que antes da vigência do programa de ajustamento" e que o emprego gerado em Portugal assenta, sobretudo, em actividades precárias e em estágios "mal remunerados e sem perspectiva de continuidade e de verdadeira inserção no mercado de trabalho"." P3 Jornal Publico de 27.3,15

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

PorCurso.pt



Trata-se de uma iniciativa da startup portuguesa AppsCOT, que convida a explorar a relação entre os valores de desemprego de recém-diplomados e os respectivos cursos, de forma visual e dinâmica. Os gráficos são interactivos e clicando num curso, universidade ou área é possível filtrar essa informação nos outros gráficos. 
Estes resultados não reflectem a qualidade dos cursos mas apenas a sua relação com o desemprego e somente estão presentes cursos e universidades das quais diplomados de 2010 a 2013 estavam registados no IEFP(Instituto de Emprego e Formação Profissional) até Dezembro de 2013. A base da informação são os dados do IEFP e da Direção Geral de estatísticas da educação relativas àquela data.

sábado, 30 de agosto de 2014

Ensino Superior e desemprego: Vale a pena ser licenciado?

Artigo de João Atanásio* que saiu no Publico de 28.8.14 sob o título "Ensino Superior e desemprego: Vale a pena ser licenciado?":

"A formação superior continua a assegurar aos diplomados mais fácil acesso ao mercado de trabalho. Não obstante, importa salientar a evolução negativa que se tem vindo a verificar neste domínio. 
Portugal acordou para o fenómeno do desemprego em meados da primeira década do século XXI, com as taxas a não pararem de crescer desde o início do milénio (de 3,9%, em 2000, para 7,6%, em 2005, 10,8%, em 2010, e 16,3%, em 2013). Passámos, diariamente, a ouvir falar em milhares de desempregados, muitos deles qualificados, e em emigração maciça de mão-de-obra qualificada.
Fica, então, a pergunta: a formação superior facilita a entrada no mercado de trabalho ou a decisão de prolongar os estudos é economicamente irracional? Ao adiarem a sua entrada no mercado de trabalho, os jovens esperam que o tempo e dinheiro que “perderam” a estudar sejam mais do que compensados pelas oportunidades que se lhes venham a apresentar. Será que esta expectativa se confirma? Será que os ativos qualificados constituem um “material mais empregável”?
A resposta é, inequivocamente, positiva. A taxa de desemprego dos ativos qualificados é bastante mais reduzida (12,9%) do que a dos não qualificados (17,1%).
A evolução do desemprego em Portugal permite-nos chegar às seguintes conclusões: o desemprego tem vindo a aumentar em todas as faixas etárias e em todos os níveis de escolaridade; os jovens (15 a 24 anos) são os mais afetados pelo desemprego (37,7%); o aumento do desemprego afetou em especial os que nunca estiveram inseridos no mercado de trabalho e os que possuem qualificação superior têm uma taxa de desemprego inferior à taxa média nacional e ainda mais distante da taxa de desemprego jovem.
A formação superior continua, assim, a assegurar aos diplomados mais fácil acesso ao mercado de trabalho. Não obstante, importa salientar a evolução negativa que se tem vindo a verificar neste domínio (em 2005, a taxa de desemprego qualificado foi 6,7%, em 2010, de 7,7%, e, em 2013, de 12,9%).
Várias razões têm contribuído para este registo. Se algumas das justificações são incontornáveis (o aumento galopante, embora ainda insuficiente, da população ativa qualificada e a redução do emprego público), outras resultam de situações para as quais é imperativo encontrar uma resposta, aplicando ou aprofundando medidas que garantam a inversão da trajetória dos últimos anos. Entre estas, contam-se:
- Melhorar a informação dos candidatos ao ensino superior, assegurando-lhes uma escolha mais racional e um maior potencial de empregabilidade (o portal infocursos representa uma iniciativa de extrema importância neste domínio);
- Aprofundar a ligação entre ensino superior e mercado de trabalho, envolvendo empregadores na definição dos planos de estudos e conteúdos programáticos, criando gabinetes de integração profissional, promovendo estágios, incentivando a mobilidade internacional dos estudantes e estabelecendo parcerias entre instituições de ensino superior e empresas;
- Definir criteriosamente a oferta formativa do ensino superior público, o qual, por ser financiado pelos contribuintes, deve obedecer a princípios de racionalidade, de razoabilidade, de não duplicação, de especialização e de interesse estratégico;
- Desenhar um catálogo de formação que resolva, ou pelo menos atenue, os gravíssimos inconvenientes da promiscuidade existente ao nível da oferta formativa entre ensino universitário e politécnico, impedindo a contínua academização dos politécnicos e profissionalização das universidades.
Em suma, é essencial adotar medidas que contrariem o aumento do desemprego qualificado. No entanto, ao contrário do que tantas vezes se apregoa, o investimento em formação de nível superior continua a apresentar um forte retorno. É, assim, imperativo que se difunda este dado objetivo, lançando uma campanha de mobilização dos jovens portugueses para a importância que a formação superior tem para o seu futuro e para o futuro do país."
*Docente da Universidade Europeia e Investigador do Centro de Investigação de Direito Europeu, Económico, Financeiro e Fiscal



segunda-feira, 5 de maio de 2014

PORTAL Com.Emprego em Moçambique


Seguem-se Brasil e Timor-Leste.
O mais recente portal lusófono de emprego e formação,Com.Emprego, acaba de adotar o domínio moçambicano, no novo endereço http://www.comemprego.co.mz/portal/, destinado à comunidade deste país.
O portal lusófono com ofertas de emprego e formação de qualquer entidade empregadora ou formadora de Portugal e Moçambique tem planos para se alargar ao Brasil, Timor-Leste e ainda aos PALOP.
Além de ofertas de emprego e formação, o portal Com.Emprego é ainda um local de divulgação de notícias e de eventos, diariamente.
Fonte: dinheiro vivo


terça-feira, 24 de setembro de 2013

O trabalho precário está a tornar-se crescentemente a regra


Entrevista de Por Raquel Martins A Ricardo Antunes
Ricardo Antunes O sociólogo e investigador na Universidade de Campinas, Brasil, diz que os trabalhadores estão confrontados com um enigma de difícil solução: o trabalho precário ou, do outro lado, o problema do desemprego.
O investigador brasileiro, que há 40 anos estuda os fenómenos ligados ao trabalho, alerta que o trabalho precário e informal, que devia ser uma excepção, passou a ser a regra. Um fenómeno global que está a alterar a morfologia do trabalho e a influenciar a intervenção social dos trabalhadores.
Ricardo Antunes, que esteve em Portugal em meados de Setembro para apresentar o seu livro Os Sentidos do Trabalho, Ensaio sobre a Afirmação e a Negação do Trabalho (Editora Almedina), alerta que as empresas estão cada vez mais divididas por várias partes do mundo e têm trabalhadores estáveis e precários (subcontratados, trabalhadores independentes ou em part-time), o que dificulta a sua acção. É por isso que, defende, é tempo de lutas à escala global.
O sociólogo foi militante do Partido dos Trabalhadores (PT) durante 20 anos, mas não poupa críticas ao "castelo de cartas frouxas criado pelo Governo" e que começou a dar sinais de estar a desmoronar-se com as manifestações de Junho passado em várias cidades brasileiras.
Quando lançou o livro Os Sentidos do Trabalho no Brasil, há 14 anos, alertava que estava a caminhar-se para uma realidade em que o trabalho informal e precário seria a regra. A sua tese acabou, de certa forma, por se confirmar. Essa realidade veio para ficar?
Vivemos uma mudança profunda. A excepção - o trabalho informal, terceirizado, freelancer - torna-se crescentemente regra. Infelizmente, a relação contratual dotada de direitos, onde o trabalhador e a trabalhadora entravam para um emprego numa perspectiva de aí ficar longo tempo, praticamente desapareceu.
Se fossem relações flexíveis de trabalho com direitos, com segurança, mas não. O problema é que a noção de flexibilidade traz embutido o desmantelamento dos direitos do trabalho nas diversas partes do mundo.
Se a regra segundo a qual o trabalho é um custo e como todo o custo tem que ser reduzido se mantiver, entramos num novo patamar de precarização estrutural do trabalho em escala global.
Essa precarização é um problema mais visível nas economias desenvolvidas?
Se olharmos para o mundo asiático, é a lei da selva; se olharmos para o mundo latino-americano, é a lei da informalidade. Em meados de 1990, 60% da força do trabalho do Brasil estava na informalidade.
Diz-se que na Alemanha praticamente não há desemprego. Mas, se analisarmos os dados do Eurostat [o organismo de estatísticas europeu], concluímos que os homens alemães estão a perder o emprego a tempo inteiro e a aceitar empregos parciais, onde normalmente predominam as mulheres. É verdade que os níveis de desemprego são reduzidos, mas houve precarização das condições de trabalho.
Temos depois o caso de Portugal, com um largo contingente de jovens sem perspectivas, ou o caso espanhol, que é explosivo. Para não falar dos emigrantes que são hoje a ponta mais visível da precarização do trabalho à escala global.
Estamos condenados a que o trabalho contratualizado e, de certa forma, regulado desapareça?
Não estamos condenados, se resistirmos e se lutarmos. Uma empresa, seja ela pequena ou uma grande multinacional, tem que funcionar numa lógica de racionalidade, ou seja, quanto menos custos tiver, melhor. E como é que ela reduz custos? Cortando nas despesas desnecessárias, mas fundamentalmente cortando no trabalho.
Em 1995, chegámos a ter no Brasil um milhão de trabalhadores bancários. Hoje temos 400 mil, mais 400 mil invisíveis que trabalham em call-centers ligados aos bancos. São tendências mais ou menos mundiais. Onde há sindicatos mais fortes, essas mudanças demoram. Infelizmente a excepção tende a ser a regra e a regra - o trabalho contratualizado e estável - tende a  a ser a excepção.
O discurso empresarial é que terceirizando [expressão que significa a contratação de serviços externos a terceiros], a qualidade do serviço é melhor. Isso é falso, trata-se de um discurso puramente ideológico. A terceirização tem dois objectivos: a redução de custos e dividir os trabalhadores.
As empresas têm cada vez menos trabalhadores estáveis e têm várias modalidades de contrato (em part-time, contrato por tempo determinado) pautadas por regras de informalidade, que é o espaço da precarização mais acentuada. É o melhor dos mundos para a empresa e o pior dos mundos para a classe trabalhadora. Quando os trabalhadores estáveis param, os precários fazem o trabalho. Quando os precarizados param, os estáveis fazem o trabalho.
Na lógica actual, não faz mais sentido ter uma fábrica com 20 mil operários, porque se param não há nada a fazer. O ideal é ter várias fábricas com 500 trabalhadores, espalhadas pelo mundo e utilizar forças de trabalho mais baratas.
Significa que o valor do trabalho também tem vindo a degradar-se, com esta nova morfologia da empresa e do próprio emprego?
O valor do trabalho foi completamente destruído porque ele tornou-se uma mercadoria. Uma das conclusões fortes do meu livro é a seguinte: o trabalho que estrutura o capital desestrutura a humanidade, e o trabalho que estrutura a humanidade desestrutura o capital. Esse é o enigma do século XXI.
Mas se, por um lado, ter um trabalho precário é mau, estar no desemprego não será pior?
O trabalho é uma dialéctica rica. Se estou desempregado, o meu primeiro sonho é voltar a trabalhar. Mesmo o trabalho assalariado, informal, precarizado, é um flagelo menor do que o desemprego. Se tenho um emprego bom e com direitos, quero um que me pague melhor. Se tenho um emprego precário, luto para melhorá-lo.
O trabalho é alienação, sofrimento, fetichismo, coisificação, mas também é simultaneamente criação, felicidade. Miguel Ângelo, quando está a pintar ou a esculpir, tem dias em que quase que está a desempenhar um trabalho manual penoso. Mas quando olha a obra e ela fala é um momento catártico da criação. Mesmo um trabalho sublime como o do artista tem sofrimento.
Karl Marx é um autor magistralmente actual. Com 26 anos, este jovem constatou que, se pudesse, o trabalhador, e eu acrescentaria a trabalhadora, fugiria. Se pudessem, os trabalhadores e as trabalhadoras fugiriam do trabalho como se foge de uma peste. Mas se saio do trabalho infernal e vou para o desemprego infernal, então eu quero voltar ao trabalho infernal.
De que forma a precarização e o recurso ao outsourcing influenciam o exercício da cidadania e a conciliação da vida profissional com a pessoal?
Não importa se é belo ou infernal, o trabalho é vital para o trabalhador, para o mundo e para o capitalismo. É o trabalho que gera a riqueza, não é a máquina. Quanto muito, a máquina potencia a riqueza. Se esse trabalho é depauperado e degradado, a base sobre a qual se ergue a actuação do indivíduo enquanto ser social está comprometida.
Quem não tem assegurado no espaço laboral nem um traço de dignidade, nem um traço de certeza, mas só incerteza e risco, nem um traço de longevidade, como poderá exercer a cidadania? A tendência é a diluição dos laços do trabalho, e isso afecta os laços que transcendem o trabalho.
Sou muito crítico. O meu optimismo decorre de uma outra coisa: entramos numa nova era de lutas sociais e de classe à escala global.
Mas que lutas são essas? Como é que se mobilizam as pessoas que estão divididas e dispersas e, ainda para mais, em situações laborais instáveis e precárias?
Estamos numa fase de lutas sociais globais espontâneas, estamos numa luta de ocupação das praças públicas. Há um fosso entre a luta social e as representações políticas tradicionais.
Em São Paulo, o que originou a rebelião de Junho foi o aumento dos transportes colectivos. O mito brasileiro começou a ruir. Fui do Partido dos Trabalhadores (PT) durante 20 anos, mas sou um crítico muito duro do Governo do PT que criou um castelo de cartas frouxas e elas começaram a cair.
Na Alemanha, as lutas são diferentes. Os trabalhadores têm que lutar por um emprego que há 20 anos era feito pelo imigrante. São formas distintas de revolta.
Referiu o fosso entre a sociedade e as representações democráticas. Não há também um fosso em relação aos sindicatos?
Há. A nova morfologia do trabalho criou trabalhadores que não têm qualquer experiência sindical, como os que trabalham em call centres ou no comércio. [Friedrich] Hayek e [Milton] Friedman, os grandes teóricos do neoliberalismo, já diziam no pós-Segunda Guerra que o grande inimigo do capitalismo eram os sindicatos. Existe uma insidiosa política de desmantelamento do sindicato de classe. Aceita-se o sindicato parceiro, mas rejeita-se o sindicato combativo.
Por outro lado, a classe trabalhadora mudou. É mais feminina, mais jovem, mais precarizada, mais terceirizada, mais emigrante. O sindicato era representante de uma classe trabalhadora masculina, estável e herdeira do welfare state. Os sindicatos não conseguem responder a esta mudança de forma rápida. O sindicalismo é vertical e institucionalizado porque a empresa também era vertical e institucionalizada. Hoje a empresa estende-se em rede e tem trabalhores e trabalhadoras estáveis e precários. Os sindicatos vivem um momento difícil, a base mudou profundamente e há uma política dura anti-sindical.
Podemos ter no século XXI um sindicato de cúpula, que defende uma minoria, ou recuperar um sindicalismo de classe e de massa que compreenda a nova morfologia do trabalho. O sindicato tem que entender a nova morfologia do trabalho para que possa representar o novo desenho da classe trabalhadora. Não houve o fim da classe trabalhadora, temos é que entender quem é o jornalista hoje, o bancário, o operador de call-center, o trabalhador de fast-food, quem são os imigrantes.
 FONTE jornal Publico de ontem

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Explicar a crise às crianças




Devemos ou não esconder os problemas económicos às crianças? Temos de tentar encontrar o lado bom na má situação económica.
Gratidão, resiliência, a naturalidade do erro, generosidade e otmismo são conceitos a colocar em prática.






Christine Carter, Ph.D, é socióloga e especialista em felicidade na UC Berkeley’s Greater Good Science Center. É autora do blogue:


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Joaquim Coimbra - Entrevista



A entrevista de Natália Faria ao psicólogo Joaquim Luis Coimbra,  com o título "O desemprego é tão comum que os jovens já não o sentem como estigma" que saiu no Jornal Público de 3.6.12. Joaquim Coimbra é  professor de psicologia na Universidade do Porto:
"Joaquim Coimbra sustenta que o trabalho como valor de troca vai desaparecer e que esta crise deveria servir para nos pôr a discutir um novo paradigma social.
Joaquim Luís Coimbra, 57 anos, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Universidade do Porto, tem baseado a sua investigação na área do desenvolvimento psicológico e social dos jovens e na educação e formação de adultos. Sustenta que os jovens não estão deprimidos com o desemprego porque, ao contrário dos mais velhos, não foram sociabilizados para terem no trabalho um "imperativo moral". E lembra que, sob a actual crise social e económica, se esconde outra, mais funda e que, mais cedo ou mais tarde nos há-de obrigar a repensar a nossa relação com o trabalho sob a forma de emprego com valor económico.

O Eurostat diz que a taxa de desemprego jovem em Portugal chegou aos 36,6%. Os jovens estão deprimidos?
J. C: Preocupados, com certeza, mas não diria deprimidos. Essa associação geral entre desemprego e um humor mais depressivo e mesmo depressão verifica-se com pessoas da meia-idade e por aí adiante. Os jovens não estão deprimidos, até porque têm o apoio das redes sociais e da família, e, por outro lado, o desemprego é tão comum, tão normativo entre eles que não o sentem como um estigma. Nas gerações mais velhas, sim, estar-se desempregado é estigmatizante e desqualificante.

Se considerarmos que a maioria das pessoas se baseia naquilo que faz para construir a sua identidade pessoal e social, que peso tem o "efeito desemprego" na forma como os jovens se relacionam socialmente?
J. C: De facto, uma base da construção da identidade - pessoal e social - nas nossas sociedades é a nossa relação com o trabalho. Mas, contrariamente àquilo que se pensa, esta relação com o trabalho, como forma de emprego e de actividade produtiva, não é uma variante da história da humanidade: é uma invenção do século XIX. Já nem me refiro ao facto de o trabalho ser um objecto de profundo desprezo na Grécia Clássica e na cultura romana, nas quais aos cidadãos competiam actividades nobres, da relação com as artes, com a filosofia e com o governo das cidades. Foi a I Revolução Industrial que nos transformou em trabalhadores produtivos e em empregados sob conta de outrem. Mas agora surgem fenómenos novos que têm a ver com a globalização e com uma nova divisão mundial do trabalho e da produção. Esta profunda crise europeia também se deve à perda de capacidade competitiva da Europa em relação a outras economias emergentes do planeta e a Europa não vai continuar a produzir e a ser competitiva nas áreas em que tem sido até agora. Portanto, esta divisão do trabalho, da economia e da produção origina desemprego para os nossos lados. Além disso, convém lembrar - e isso é das poucas coisas que podemos tomar como certas - que o desenvolvimento da tecnociência é imparável e permite produzir cada vez mais bens e serviços com cada vez menos trabalho humano. E isso, a constatação de que não vivemos em sociedades de pleno emprego, é algo que estranhamente está fora do discurso político, o que não ajuda as pessoas a encontrarem uma nova forma de acomodação na sua relação com o trabalho.

Deveríamos estar a aproveitar esta crise para procurar um novo paradigma?
J.C: O que deveríamos estar a questionar é a continuação do trabalho como valor de troca, sob a forma de emprego com valor económico. Claro que nem se põe em causa a necessidade de políticas activas de emprego, mas não nos podemos esquecer que, mesmo quando houver uma retoma e um crescimento do PIB, isso não se vai traduzir nas expectativas clássicas de criação de emprego. A produtividade de hoje é o triplo da que era nos anos 1970! E não podemos continuar a ignorar que as nossas sociedades se tornaram estruturalmente excludentes, isto é, para se manterem neste equilíbrio precário, produzem cada vez mais lixo social e cada vez mais exclusão que está a atingir cada vez mais camadas da população. Os jovens, por exemplo, não eram tradicionalmente uma camada da população que fosse atingida por isto. E, voltando um pouco atrás, lembro-lhe que a nossa relação com o trabalho, embora seja básica e fundamental na construção da nossa identidade, também já se alterou há muito tempo. Há quase 100 anos, o colapso do sistema financeiro, naquela sexta-feira negra de 1929, levou a uma crise económica e social profunda, tanto na América como na Europa, que acabou por estar na base da II Guerra Mundial. E essa crise, mais do lado norte-americano, teve uma resolução bastante rápida, tão rápida que, durante a II Guerra Mundial, passado pouco mais do que uma década, os americanos estavam a salvar a Europa da sua própria autodestruição e, depois, a financiar a sua reconstrução. Portanto, a crise resolveu-se muito rapidamente na América do Norte e teve três protagonistas importantes: o presidente Roosevelt, [John] Keynes, como economista, e [Henry] Ford, como empresário. Ora, Ford, para além de ter aderido ao apelo de Roosevelt para aumentar o salário dos trabalhadores em plena crise, pensou uma coisa do género "Os operários da minha fábrica têm que ter capacidade para comprar o produto que fabricam", o Ford T, e, de facto, o valor de produção baixou de tal maneira que os operários se tornaram capazes de comprar o automóvel. E isto é simbólico, mas não é só simbólico, porque foi aí que passámos do estatuto de trabalhadores para o de consumidores. Hoje em dia, e para voltar à questão dos jovens, é mais importante estar dentro do circuito do consumo do que do trabalho.

E o facto de estes jovens não estarem no circuito trabalho põe em risco o seu lugar no circuito do consumo, a não ser que pensemos que as famílias vão poder continuar no seu papel de financiadores.
J.C: De facto, as famílias são as grandes financiadoras destes adultos emergentes, que são uma nova categoria social e psicológica de jovens, e desta crise social e económica - e não falo da crise actual originada pela divida e pelo défice em Portugal, mas de uma crise mais profunda de reorganização das nossas sociedades. Não havendo espaço social para estes jovens, porque o mercado do primeiro emprego não funciona ou funciona de uma forma débil, fraca e lenta, o grande financiador do problema são as famílias que vão mantendo estes jovens nos circuitos de consumo. E, apesar de tudo, há políticas sociais que vão pondo na mão destes jovens algum dinheiro que também ajudam a que se mantenham no estatuto de consumidores.

Mas a que saídas podem os jovens aspirar?
J.C: Essa questão tem a ver com as determinantes mais imediatas da crise, que é capaz de se aliviar um pouco dentro de alguns anos. Mas as causas mais profundas vão permanecer e essas têm a ver com o facto de não precisarmos de tanta gente no emprego. Julgo que poderemos chegar a um ponto, não sei se daqui a 20, se daqui a 100 anos, em que apenas 10% da população será necessária para prover todas as necessidades de bens e serviços. É um bocado como naquela representação da unidade produtiva do futuro, que funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano, controlada electronicamente e que tem como mão-de-obra um engenheiro e um cão, e o cão é para impedir que o engenheiro faça alguma coisa. Isso é anedótico, mas dá-nos a representação do que é que pode ser um futuro em que a humanidade se libertará da condição de ter que lutar diariamente pela sobrevivência, e em que trabalharemos não para o negócio mas para o ócio. Isto é especulativo, mas parece-me mesmo que, mais tarde ou mais cedo, teremos que estar a repensar todas as bases em que a nossa sociedade está organizada.

Até lá como é que esta geração se encaixa?
J.C: Com muitas dificuldades, com muitas adversidades, com muita escassez de oportunidades, os jovens vão encontrando maneiras de lidar com isto de forma criativa. Claro que a transição da formação para o emprego é muito mais lenta, passa por muito mais vicissitudes, é um itinerário feito de muitas mais descontinuidades e alternâncias, mas os jovens vão-se integrando. E na psicologia destes jovens adultos não há sinais de que haja mais insatisfação. Eles têm consciência dos problemas, evidentemente, mas também têm consciência das potencialidades. É a geração mais qualificada de sempre e, portanto, a mais equipada. Mas não quero cair na leviandade do discurso sobre o empreendedorismo a qualquer custo, porque o que se passa é que estes jovens com qualificações de nível superior vêem-se muitas vezes obrigados a aceitar propostas muito precárias e até insultuosas de vencimentos de 400 euros. E não vemos políticas activas de emprego nem nada que promova um capital de esperança para que estes jovens continuem a persistir na procura de um emprego estável, mas, enfim, dá-me a ideia de que a sensatez deles é superior à dos nossos políticos.

A percentagem de jovens que vive em casa dos pais é muito elevada em Portugal, em comparação com a média Europeia. Isso decorre da acomodação dos jovens ou do facto de verem a sua vida em suspenso por causa da dificuldade em obterem emprego?
J.C: Nós temos números mais elevados porque somos mais pobres e estamos a empobrecer muito rapidamente mas esse é um fenómeno transversal a toda a cultura Ocidental, quer do lado de cá do Atlântico quer do lado de lá. O mercado de trabalho transformou-se de tal maneira, tornou-se tão instável, que não permite qualquer base segura para construir projectos de futuro. Hoje em dia os jovens têm dificuldade até em alugar uma casa quanto mais comprar. Mas isso é um problema geral da Europa.

Mas este ficar não é contaminado também por alguma preguiça ou comodismo, no sentido em que não estarão dispostos a abdicar de para ganharem autonomia?
J.C: Não diria isso. E não é isso que a investigação, nomeadamente a feita em Portugal, diz. Eles ficam porque são forçados a ficar. Porque os que têm alternativa saem e por isso é que está a aumentar também o número de jovens que vivem sozinhos. Agora, não temos as políticas sociais da Dinamarca que ainda consegue dar quase automaticamente a um jovem que sai da casa dos pais um subsídio para ele ter um mínimo de autonomia económica e financeira. Mas não é por terem um hotel de cinco estrelas com preços muito económicos que eles ficam em casa dos pais. E, por outro lado, também é verdade que a família portuguesa está muito mais democrática, aquela expressão "Enquanto estiverem em casa sou eu que mando" já não funciona, os pais têm tendência a respeitar os projectos dos seus filhos, os seus estilos e o padrão de vida que têm, a maneira como gerem o tempo e a sua privacidade, e tudo isto cria condições para que o ficar em casa não seja uma experiência tão dolorosa para os jovens. É uma experiência por default, mas, apesar de tudo, não é tão dolorosa quanto isso para os jovens. Se o for é para os pais que estão a financiar isto tudo.

Continuando com esta geração no seu divã, acha que ela, fruto das circunstâncias, já encontrou novas formas de socialização ou continua a digerir essa sensação de não encaixe?
J.C: Está a encontrar, em sociedades extremamente individualizas. E sociedades individualizadas quer dizer que são sociedades em risco, nomeadamente de exclusão, e em que podemos estar entregues a nós próprios, nomeadamente em momentos de dificuldades em que nem sequer o nosso vizinho do lado nos acode. Portanto, há uma fragmentação, uma erosão dos laços sociais e um desaparecimento até da ideia de comunidade. Mas o outro lado dessa moeda é um lado interessante: é que a margem de manobra, sobretudo destes jovens, para governarem as suas vidas e para se transformarem naquilo que querem nunca foi tão grande como hoje. O peso das normas sociais diminuiu muito e hoje os jovens definem-se e à sua identidade pelo estilo de vida que adoptam.

E tudo isso é uma reacção saudável a este quase estatuto de lixo social de que falava há bocado?
J.C: É uma das faces da moeda. A face em que as pessoas têm maior autonomia e margem de manobra para, individualmente, escolherem e governarem a sua vida. Em consonância com aquela expressão que faz parte de uma emenda à Constituição dos Estados Unidos, "the right to be left alone", as nossas sociedades são menos normativas e menos disciplinares do que eram no passado, e, hoje em dia, as pessoas têm direito de ser o que lhes apetece. As pessoas até dizem que respeitam a liberdade de escolha da orientação social - ora ninguém escolhe a orientação sexual, ela é resultado de um processo muito mais complexo - mas isso é visto como uma escolha e é respeitado.

Como imagina daqui a uma década esta geração que está agora entre os 25 e os 30 e poucos anos e a lutar por se inserir?
J.C: Se calhar como está hoje a geração dos anos 60 que fez o Maio de 1968 ou o flower power nos Estados Unidos e que está hoje a chegar à terceira idade. Esta geração pode ter que levar mais tempo, e se calhar até que pagar mais, para chegar à vida adulta na sua plenitude, com todas as suas responsabilidades e com todos os seus papéis reconhecidos socialmente. Mas vai lá chegar e vai ter que assumir mais tarde ou mais cedo a responsabilidade pelo mundo, como as gerações anteriores também assumiram.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Jovens ficam menos deprimidos com o desemprego



Taxa de desemprego entre jovens com menos de 25 anos atingiu os 35,4% no último trimestre de 2011. Dados do Eurostat mostram que, em Janeiro, 92 jovens ficaram desempregados por dia. O desemprego propicia estados depressivos?

A depressão relacionada com a perda de emprego (ou incapacidade para o conseguir) “...não acontece tanto nesta geração”, avalia o docente da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, Joaquim Luís Coimbra. “É mais frequente nos desempregados seniores, que foram socializados de outra forma, para outro mundo que também já não existe. As gerações mais velhas têm maior probabilidade de deprimirem.” E “...se atribuíssem a mesma importância ao emprego que se atribuía noutras gerações estariam numa situação de risco [de doença psicológica] eminente”.
Leia o artigo completo em p3.publico.