SERVIÇO DE PSICOLOGIA E ORIENTAÇÃO da Escola Sec.de Francisco Franco
terça-feira, 23 de agosto de 2011
A importância de dormir
Com:
Helena Rebelo Pinto
- Psicóloga
Teresa Paiva
- Neurologista
Paula Torres de Carvalho jornalista do Jornal Publico realizou uma entrevista a estas investigadoras, com o título: Crianças e adolescentes portugueses só dormem metade do que precisam, a qual foi publicada neste jornal a 14 de Agosto de 2011. Com base em inquéritos realizados em várias escolas portuguesas taxas de sonolência excessiva em mais de 50 por cento dos estudantes, o que contribui para várias doenças e para o insucesso escolar.
Aqui está um pequeno enxerto dessa entrevista:
Teresa Paiva
.
"As crianças que dormem menos do que precisam têm um risco aumentado de hipertensão arterial, de diabetes, de insucesso escolar, de depressão e de insónia",
explica, chamando a atenção para a gravidade da situação, já que se trata de "doenças crónicas que são problemas para toda a vida".
Dormir menos do que se precisa
"afecta ainda a aquisição de conhecimentos abstractos" e traduz-se no insucesso escolar e nas dificuldades em relação à aprendizagem da Matemática, o que já se tornou num "problema nacional".
Mesmo que os jovens que trocam o dia pela noite acabem por dormir o mesmo número de horas, esse sono
"não tem qualidade
", afirma a médica. "Dormem fora da fase do sono, portanto o sono nunca tem tanta qualidade e sabe-se que, para além da depressão e da obesidade, o dormir assim tem um risco aumentado de cancro".
Está provado como a luz
"tem importância para a saúde",
nota Teresa Paiva. E, explicando o benefício de dormir de noite, lembra que
"as primeiras células que existiram aprenderam a multiplicar-se de noite e não de dia" e que "são as hormonas [muitas das quais são produzidas exclusivamente quando estamos a dormir] que facilitam a divisão celular".
Também é de noite que "
há mais interacções entre os neurónios nas várias fases do sono". "Não somos nem ratos nem morcegos, não somos feitos para andar a dormir de dia", nota a neurologista, referindo que "temos relógios no organismo
" e que "
tudo se passa de forma muito padronizada, tanto durante a noite, como durante o dia relativamente aos horários alimentares e às produções hormonais".
O grande problema é que muitos adolescentes com estes hábitos recusam mudar.
"Quando lhes fazemos uma proposta diferente, não querem, porque todo o seu esquema de relações sociais está montado para a noite e de outra forma perdem o círculo social que conhecem",
explica aquela médica.
Verifica-se sempre uma grande resistência à alteração de hábitos.
"Quando dizemos que uma criança de dez anos deve dormir dez horas e que os mais novos devem dormir muito mais, muitos pais deitam as mãos à cabeça", conta
Helena Rebelo Pinto
, defendendo que os hábitos de sono fazem parte de "uma aprendizagem que vem desde a mais tenra idade".
A experiência mostra
"como os pais sofrem, quando as crianças dormem mal e quantas práticas erradas têm para tentar que as crianças durmam bem",
diz. Refere a importância de que
"os pais tenham informações sobre o que se passa com o sono dos filhos
", o que frequentemente não se verifica: "
Muitos pais acham que as crianças têm de dormir o mesmo tempo do que eles e ir para a cama ao mesmo tempo que eles
."
Na sua opinião, há na sociedade portuguesa
"uma cultura de desvalorização do sono e um desconhecimento e conjunto de ideias erradas acerca do sono".
Atentas ao surgimento precoce de problemas do sono, Teresa Paiva e Helena Rebelo Pinto lançaram no último ano lectivo o
projecto Sono-Escolas
, que envolveu mais de cem estabelecimentos escolares em todo o país.
…
No âmbito deste projecto, a neurologista e a professora de Psicologia já escreveram três livros sobre o sono destinados a crianças de várias faixas etárias:
Dormir É Bom
,
Dormir Faz Bem
, para crianças dos três aos cinco anos;
O Meu Amigo, o Sono
, para crianças dos oito aos 12 anos e
Os Mistérios do Sono
para adolescentes dos 13 aos 18 anos.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Mensagem mais recente
Mensagem antiga
Página inicial
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário