Artigo que saíu no Publico a 16.2.2018 com o título "Educação
para um mundo melhor: um debate em curso a uma escala global":
"Estamos todos convidados a perguntar qual o melhor modelo de aprendizagem
que ajudará os alunos a ter sucesso no desenho do mundo sobre o qual agirão.
Enfrentamos hoje desafios sem precedentes — sociais, económicos e
ambientais — provocados por uma globalização em aceleração e por um muito mais
rápido desenvolvimento tecnológico. Paralelamente, estas forças conferem uma
miríade de novas oportunidades para o desenvolvimento humano. O futuro é
incerto e não o conseguimos predizer; mas é preciso estar disponível e
preparado para esse futuro. As crianças que entram nos sistemas educativos em
2018 serão jovens adultos em 2030. As escolas têm de os preparar para empregos
que ainda não foram criados, para tecnologias que não foram ainda inventadas,
para resolver problemas que ainda não foram antecipados. Aproveitar
oportunidades e encontrar soluções será uma responsabilidade partilhada. Temos
a responsabilidade de educar estas crianças, tornando-as competentes, equipadas
com o conhecimento, as capacidades, as atitudes e os valores que os tornam
capazes de ser os construtores de um futuro melhor. Estamos todos convidados a
perguntar qual o melhor modelo de aprendizagem que ajudará os alunos a ter
sucesso no desenho do mundo sobre o qual agirão.
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Através do projeto da OCDE O futuro da educação e competências
2030,29 países e economias estão a colaborar para a encontrar perguntas
para duas perguntas prementes:
- De que
tipo de conhecimentos, capacidades, atitudes e valores vão necessitar os
estudantes para ter sucesso e modelar o seu mundo?
- Como
podem os sistemas educativos desenvolver esse conjunto de competências?
O projeto não procura estabelecer uma abordagem uniforme para os sistemas
educativos, porque isso não ajudaria a responder a estas questões. Pelo
contrário, fornece uma plataforma para o desenvolvimento de uma compreensão
partilhada sobre desenho curricular. Estudantes preparados para o futuro
precisam de ser agentes ativos quer na sua própria educação, quer na sua
própria vida. Ser agente implica um sentido de responsabilidade para participar
no mundo e, assim, influenciar pessoas, eventos e circunstâncias para o que é melhor.
Ser agente assenta no poder de modelar um propósito e identificar ações para o
conseguir. Uma educação de sucesso prepara jovens que pensam por si só e
trabalham e vivem com os outros. Isto implica desenvolver a capacidade de
resolver problemas complexos, de questionar a sabedoria estabelecida,
integrando conhecimento emergente, de comunicar eficientemente e de promover o
bem-estar. Os jovens precisam do conhecimento que é adquirido sem o recurso
único a rotinas de memorização. Formas múltiplas de avaliação, metodologias
ativas de ensino e aprendizagem, trabalho interdisciplinar, trazendo o mundo
real para dentro da sala de aula — estes são ingredientes nucleares para este
objetivo de promover uma aprendizagem melhor e mais profunda.
A partir das Competências Chave (desenvolvidas no projeto OCDE DeSeCO –
Definição e Seleção de Competências), o projeto Educação 2030 identificou três
categorias adicionais, conhecidas como Competências Transformadoras:
- Criar
novos valores: é necessário pensar criativamente, desenvolver novos produtos e
serviços, novos empregos, novos processos e métodos, novas formas de
pensar e viver, novas empresas, novos setores, novos modelos de negócio e
novos modelos sociais. Cada vez mais, a inovação não emerge de indivíduos
que pensam e trabalham sozinhos, mas da cooperação e colaboração que
permitir criar novo conhecimento a partir do conhecimento existente.
- Reconciliar
tensões e dilemas: é hoje necessário pensar de forma mais integrada
para impedir conclusões prematuras e reconhecer interconexões. Num mundo
de interdependência e conflito, os indivíduos assegurarão com sucesso o
seu bem-estar, o das suas famílias e das suas comunidades, somente através
do desenvolvimento desta segunda competência transformadora: a capacidade
de reconciliar os seus próprios objetivos com as perspetivas dos outros.
- Assumir
responsabilidade: lidar com a novidade, a mudança, a diversidade e a ambiguidade
assume que os indivíduos podem pensar autonomamente e trabalhar com os
outros. De igual modo, a criatividade e a resolução de problemas requer a
capacidade para considerar as consequências futuras das ações de cada um,
para avaliar risco e recompensa, e para aceitar a responsabilização pelos
produtos do trabalho desenvolvido. Isto sugere um sentido de responsabilidade,
e maturidade moral e intelectual, com a qual uma pessoa pode refletir
sobre as suas ações e avaliá-las à luz das suas experiências e dos
objetivos pessoais e da sociedade, à luz dos que lhes foi ensinado e dito,
e à luz dos que está certo ou errado.
Muitos atores são chamados a desempenhar um papel para que estas
competências possam ser desenvolvidas. Para ajudar a desenvolver o compromisso
e a capacidade de ser agente naqueles que aprendem, precisamos não só de
reconhecer a sua diversidade individual e o seu potencial, mas também de
reconhecer que o conjunto mais largo de relações que influenciam a sua
aprendizagem — com os seus professores, os seus colegas, famílias e
comunidades. Um conceito fundamental que subjaz a este modelo de aprendizagem
é, portanto, o de “co-construção” — as relações interativas de suporte mútuo
que ajudam os alunos a progredir em direção aos seus objetivos. Neste contexto,
todos devemos considerar-nos aprendentes, não apenas os alunos, mas também os
professores, as escolas, os decisores políticos, as famílias e as comunidades.
Se a aprendizagem está no centro, é crítico o desenvolvimento de comunidades de
aprendizagem."
O grupo de consultores do Projeto da OCDE Future of Education
and Skills 2030:
João Costa, Secretário de Estado da Educação, Portugal
Suzanne Dillon, Subinspectora-geral, Departamento de Educação e Competências, Irlanda
Kan Hiroshi Suzuki, Consultor Executivo do Ministério da Educação,
Desporto, Cultura, Ciência e Tecnologia, Japão
Moonhee Kim, Ministra, Delegação Permanente da República da Coreia na OCDE, Coreia do
Sul
Jørn Skovsgaard, Conselheiro Sénior de Educação, Ministério da Educação, Dinamarca
Em colaboração com a OCDE:
Andreas Schleicher, Director de Educação, OCDE