quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Orientação profissional no ensino básico

A orientação escolar dos alunos em todos os níveis de ensino é uma responsabilidade social e de todos - especialistas em orientação escolar, professores/directores de turma, empresas e outros agentes da comunidade ao nível local.





Esta publicação do GEPE destinada ao Ensino Básico, poderá ser um instrumento útil  nas intervenções no âmbito da orientação profissional:

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Porque as raparigas parecem mais crescidas?


Entre os rapazes e raparigas da mesma idade, parecem existir desencontros. Um deles, refere-se ao crescimento – as raparigas parecem ser mais crescidas. Possivelmente por isto, namoram com rapazes mais velhos. Aqui fica um contributo para a compreensão deste fenómeno:

“…os rapazes se desenvolvem vagarosamente – as glândulas supra-renais e as gónadas começam mais tarde e, mesmo então, o corpo masculino desenvolve-se a um ritmo relativamente lento. Lembro-me de que, quando era adolescente, as raparigas da minha idade me pareciam muito mais crescidas, e de me parecer que o meu crescimento era tão vagaroso que eu levaria anos a apanhá-las. Afinal, não era apenas angústia adolescente, mas sim um fenómeno bem real – as mudanças da adolescência ocorrem dois anos depois nos rapazes. Todavia, em contraste com esta lentidão dos rapazes há uma importante excepção: a fertilidade".

"Tal como os rapazes têm de produzir esperma, as raparigas têm de produzir óvulos. Contudo, órgãos reprodutores femininos também têm de desempenhar um papel adicional, o de produzirem hormonas para apoiar uma gravidez."
David Bainbridge, Teenagers, Editora Guerra e Paz

As raparigas são maduras mais cedo, mas levam mais tempo a alcançar a fertilidade.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O sitio dos miúdos

O que faz um/a Enfermeiro/a? E um/a advogado/a?
No site sitio dos miudos poderá ajudar as crianças a conhecer o mundo das profissões.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Violência no namoro (1)


A Associação Académica de Coimbra realizou uma conferência sobre o tema “O que é a violência”. Foram convidados os especialistas Mário Simões, Rosário Pinheiro. Suzana Lucas e Madalena Alarcão apresentaram o tema da violência no namoro.


Num estudo que a investigadora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) Suzana Lucas está a desenvolver revela que “50 por cento das vítimas de agressão no namoro perdoam o agressor”. A convicção, por parte da vítima, que a agressão que sofreu resultou de um ato isolado, que “o outro vai mudar” o seu comportamento ou “o medo de represálias”, são as razões mais frequentemente apontadas pelas vítimas para justificar o perdão ao agressor, acrescenta a investigadora.

Embora acredite que aquela atitude reflecte, de algum modo, a realidade, o estudo incide “apenas sobre 274 adolescentes vítimas de violência no relacionamento amoroso”, adverte Suzana Lucas, sublinhando que a investigação que está a desenvolver, no âmbito do seu doutoramento na FPCEUC, abrangerá mais de dois mil casos.

O Gabinete de Apoio ao Estudante da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra não tem tido mãos a medir para «acompanhar os estudantes nas suas dificuldades de ordem psicológica», afirmou a directora Luísa Morgado, falando numa «procura muito considerável».

Os casos de violência no namoro constituem apenas uma pequena parte das razões que levam os alunos a procurar a ajuda dos psicólogos da Faculdade. «Também existem estudantes que precisam de acompanhamento psicológico devido a dificuldades de aprendizagem e integração», exemplificou a responsável.

Na prevenção da violência doméstica em contexto escolar, poder-se -à recorrer a:
 Prevenção da violência doméstica da UMAR (em 15 sessões)


Fonte: Jornal Publico – 15 de Dez de 2010; Associação Académica de Coimbra

Imagem retirada de: videolog.tv

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Inteligência criativa


A inteligência humana é hoje entendida como uma qualidade do comportamento que se manifesta na escola, no trabalho, nas relações interpessoais e na tomada de decisões.

Estas novas perspectivas no entender dos investigadores que as defendem, suportadas pelas recentes descobertas das neurociências, vêm alterar as práticas, nomeadamente a avaliação da inteligência através dos testes psicológicos tradicionais, assim como as estratégias pedagógicas no processo ensino aprendizagem.
A teoria da Inteligência de Sucesso de Robert Sternberg (1996) psicólogo na Universidade de Yale, ao defender esta perspectiva, representa a inteligência humana por três formas (triárquica) diferentes:  
- Inteligência Analítica ou Convencional
- Inteligência Criativa
- Inteligência Prática.

As três devem ser desenvolvidas em toda as disciplinas do currículo.

Hoje, falaremos só da Inteligência Criativa
A inteligência criativa é uma atitude em relação à vida, assim como uma capacidade que pode e deve ser treinada. O seu desenvolvimento, segundo Sternberg, requer:
Habilidades intelectuais – são a capacidade para analisar os problemas de maneira original e interessante; capacidade para reconhecer quando uma ideia é boa ou má; capacidade para convencer os outros sobre o valor das suas ideias.
Conhecimento – domínio que devemos ter de uma determinada área na qual pretendemos ser criativos (em qualquer área - científica, literária, artística, empresarial...).
Estilos de pensamento – modo como preferimos nos exprimir (uns modos facilitam mais a criatividade que outros).
Personalidade – certos atributos facilitam mais a produção criativa como sejam: o auto-conceito positivo, a capacidade de enfrentar o medo em correr riscos, ou a tolerância à incerteza.
Motivação: a motivação intrínseca é mais importante, pois as pessoas serão mais criativas se gostarem do que fazem, e não tanto pelas gratificações, por exemplo, que possam obter dos outros.
Ambiente: é necessário que este estimule e reconheça as ideias criativas.

As três inteligências estão relacionadas, mas “ a inteligência de sucesso é mais eficaz quando equilibra os três aspectos: o analítico, o criativo e o prático” Robert Sternberg.

Para saber mais sobre este assunto, o livro:
"Inteligência de Sucesso”
Robert Sternberg
Editora: Ésquilo

Imagem retirada de: http://criatividade.net/



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Testemunho de solidão

Testemunho anónimo de quem já passou pela solidão

    Solidão, como descrevê-la? Não há palavras e se as houver, têm que ter sido sentidas. Aquela solidão que nos mata cada dia, mais e mais. Bem, contarei o meu caso.
    Eu, como todas as crianças, tinha um sonho. Que era…não fazia a mínima. Porque digo isto de uma forma irónica?! Por causa da nossa inocência, quando estamos nesta etapa da nossa vida. Eu querer. Eu queria ter muitas amigas e amigos, roupas que me ficassem bem e me fizessem sentir bem. No meu ver, eu era um pouco ambiciosa. Bem não só isso, no decorrer da minha infância, fui vendo tantas actividades interessantes para fazer, e muitas línguas e outras matérias que poderia aprender para ser alguém com destaque em algum posto ou trabalho. Dizendo isto, em poucas palavras, possuir várias habilitações, habilidades e uma profissão que me agradasse. Pelo menos nisso, não era tão infantil.

    Mas a partir do momento em que entrei na passagem de criança para adolescente, o inferno veio à Terra. Comecei a notar que estavam a aparecer muitas diferenças no meu corpo, muitas das quais eu não estava a gostar. Como as mulheres têm pavor que lhe apareça no corpo, a tal celulite - e pelo me constava na definição de celulite na minha cabeça, só as pessoas gordas é que tinham isso - lá eu com a minha ignorância pensei que estava gorda, e nem sequer o estava. Mas mania é pior que loucura. Fixei que estava gorda até ao ponto de fazer uma dieta radical, numa idade de desenvolvimento, até chegar a uma anorexia nervosa. Tudo o que a minha mãe servia, quando estava só deitava na panela, mas quando tinha alguém por perto, fingia que comia e depois à primeira oportunidade deitava fora o comer. (Disparate !!! Tantas pessoas a morrer de fome e eu a fazer tal acto imperdoável aos olhos de Deus). E tudo o que é feito e é considerado uma asneira, tem más consequências. Perdi mais de dez quilos num mês e meio. Nada bom, ainda por cima naquela idade. Tudo isto foi o motivo de me fechar cada dia um pouco mais, e mais. Até fechar - me em quatro copas ou isolar-me, E isso levou a que eu criasse uma barreira entre mim e os meus colegas, podendo esses serem futuros e bons amigos.
    As amizades que tinha começado a criar desfaziam – se, pois afastava - me cada vez mais dessas pessoas e estas de mim. E, um dos factores do afastamento, foi a mudança de turma, embora se mantivessem quase todos na minha escola. Eu só falava com uma ou duas pessoas. A razão pela qual falava com estas, era por causa dos trabalhos de grupo, e por mais nada.
    Tudo surgiu quando comecei a não gostar de mim como era, tanto psicologicamente como fisicamente. O afastamento foi mais da minha parte, e isto como a minha amiga Anabel diz, é uma solidão imaginária. Porque apesar de sentir que me afastava cada vez mais deles, ainda estabeleciam relação comigo.

   Contudo, o tempo foi passando, e as relações foram cortadas definitivamente. E, como me apercebi que a solidão era o que me atacava nesse momento? Foi quando, por mais pessoas que tivessem a minha volta, parecia que tinha um buraco no meu peito, pois sentia que nunca ninguém iria me perceber. E, não foi só isso, quando mais precisei de ajuda, quem estava o meu lado? Humm…. Acho que não preciso de responder…obviamente… que ninguém. Constatação feita pela minha pessoa, estou só, mas agora, é real esta solidão. A minha família, que convivia comigo, começou a perceber que algo de errado se passava. O motivo pelo qual eles se aperceberam, foi porque não falava e isolava-me no meu quarto e não saia de lá até a hora das refeições, que mal as fazia ou comia. Claro, que toda esta situação foi-se manifestando a nível físico e escolar. Físico, como se diz, parecia uma zombie, por vezes não dormia nada, e ficava com aspecto de doente. E não só por não dormir, pois todos os dias eram derramadas imensas lágrimas numa face tão jovem, em que tinha a vida toda pela frente. Claro, disfarçava de todas as maneiras que não dormia e que chorava. Mas, houve um dia que não consegui disfarçar, e eles obrigaram-me a contar o que se passava. Contudo, nem uma palavra saia da minha boca. Tanto sofrimento que sentia, que para mim viver já não era o mesmo que antes. Que era, todas as manhãs despertar-me e espreguiçar-me e dizer “Este dia será melhor ou igual a todos os outros, espectacular”. Porque dizia isso?! Por causa de eu dar sempre o meu melhor e mesmo que tivesse havido uma discussão ou outra com alguém, nunca faltava um sorriso verdadeiro na minha cara. Pois, não havia motivos para não o fazer. Sorrir faz bem à saúde, tanto que este era sempre retribuído, por quem me conhecia. Também digo, que viver já não era mesmo, devido as responsabilidades começarem a crescer e eu cada vez mais fraca. Como se tivesse num deserto e em vez de puxar pelos meus neurónios e procurar um método para sobreviver e sair de lá, nada fazia. Era uma como uma “sanguessuga”, sugava todas as minhas forças, culpando-me por estar naquele deserto. Ficticiamente dito, era assim que me sentia. E claro, se na realidade tivesse num deserto, iria definhar aos poucos até morrer. Mas como prova, ainda estou viva.
   O que se pode concluir deste sofrimento pelo qual passei? É que superei e ergui a minha cabeça. Como o fiz? Primeiro passo, fazer algo para começar a gostar de mim. Deixar de tentar armar-me em forte e falar com alguém. Quem me surgiu? A minha mãe e depois buscamos uma solução juntas. Comecei a frequentar um psicólogo. E tudo foi-se resolvendo aos poucos. Ahh… se me perguntarem, porque recorri ao exemplo do deserto, e se estive perto da morte? Isto é, se tentei me matar? Não...mas pensei e quase o fazia. Não ia tentar, ia fazê-lo. Mas algo mais forte do que o desespero, impediu-me de fazer isso, o amor que sentia pela minha família. E como ainda tinha esse amor?! Não sei. Por isso comecei a acreditar mais em Deus, porque só Ele poderia despertar tal sentimento numa hora tão negra da minha vida. Esta crença em Deus, faz-me lembrar um dos poetas que a minha amiga Anabel falou, Alberto Caeiro, que vê Deus em tudo.

    Agora, estou vivinha da silva e crente a Deus. Eu quero passar uma mensagem a todos aos que tiveram a ouvir sobre  este caso extremo de solidão: Nunca se isolem. Se precisarem desabafar e compartilhar os vossos medos, façam-no e tentem fazê-lo com a pessoa que mais confiam, e verão que será mais fácil do que afastarem-se de tudo e de todos. E nem pensem, que tal acto é demonstrar que se é fraco. Não!!! Mas sim, que enfrentaram o maior medo que é falar do que sentem ou do que vos atormenta. Enfrentar tal factor, é ser -se uma pessoa muito forte, pois não é fácil, principalmente para os rapazes. E, além disso, procurem ajuda especializada. Estou a transmitir esta mensagem, porque não quero que passem pelo mesmo sofrimento que eu. Ao procurar ajuda especializada, recompus-me, apesar de estar desiludida comigo por causa da minha média escolar. Tendo acabado o secundário, posso ainda fazer melhorias, e é nisso que vou apostar. E vou dar o meu máximo para melhorar nas disciplinas, subir a minha média para ir para Universidade e tirar o curso que quero, enquanto estou desempregada, e como todos sabemos, isto está difícil para todos. Mas não é por isso que deixo de ter motivação todos os dias. Também tenho quem me apoie. Por ter enfrentado o maior medo, que era falar, e tendo passado tanto sofrimento, sinto-me a mulher mais feliz. Sim, porque que já tenho mais de 18 anos. Quis manter o meu anonimato, porque já muitas pessoas sabem do meu caso, não pormenorizadamente, como aqui descrevi. Mas, não quero que me apontem o dedo julgador como fiz comigo mesma. Espero ter ajudado no trabalho da minha amiga.

Antiga aluna de 12º ano

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Resiliência

Edward Hopper

Resiliência é a capacidade de responder, de forma saudável e produtiva, a circunstâncias de adversidade ou trauma, sendo essencial para gerir o stress da vida quotidiana.

Definição:
- Alunos resilientes evidenciam capacidades para manter um comportamento equilibrado e ajustado aos contextos, bem como a sua autoconfiança e auto-estima, quando confrontados com a oposição dos outros ou quando as suas expectativas saem goradas.

- Alunos com dificuldades em resiliência evidenciam não saber lidar com pontos de vista ou opiniões divergentes das suas, com a oposição ou a hostilidade dos outros, deixando que isso influencie, afecte e invalide os processos de aprendizagem; Neste grupo, também encontramos alunos que se desorientam com facilidade, que perdem o seu auto- -controlo, frustrando-se quando os seus objectivos não são atingidos.

Acções (pedagógicas) potenciadoras da competência :
- Proporcionar experiências potencialmente geradoras de contrariedades com as quais os alunos devem aprender a lidar de forma positiva;
– Proporcionar espaços para análise dos problemas que vão surgindo durante os processos de aprendizagem, para que os alunos possam desenvolver estratégias de análise adequadas para lidar com situações frustrantes.

Acções (pedagógicas) bloqueadoras da competência
- Não proporcionar espaço de diálogo, discussão de ideias e de actuação onde os alunos se possam confrontar com situações de contrariedade ou de expectativas frustradas;
– Tomar sempre o partido dos alunos, decidindo de acordo com as suas expectativas para evitar reacções negativas, mesmo quando essas decisões não são as mais acertadas.

Extraído de Guião “Promoção do Empreendedorismo na Escola” Direcção – Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, 2007

Para saber mais sobre Resiliência: Separata da Revista DIRIGIR






sábado, 13 de novembro de 2010

Aprender a ler modifica o cérebro, mesmo em adultos


Investigação publicada hoje online na revista Science dá conta que cientistas e voluntários portugueses participaram num estudo internacional inédito sobre os efeitos da leitura no córtex cerebral, comparando analfabetos, leitores e ex-iletrados. Para isso, foi usada a ressonância magnética funcional, um exame de imagiologia que permite medir os níveis de actividade nas diferentes zonas do cérebro num determinado momento.

Uma das conclusões deste estudo de José Morais, professor jubilado de Psicologia da Universidade Livre de Bruxelas, é esta:
Quando se aprende a ler, é como se uma armada vitoriosa chegasse às costas desprevenidas do nosso cérebro. Muda-o para sempre, conquistando territórios que eram utilizados para processar outros estímulos - para reconhecer faces, por exemplo - e estendendo a sua influência a áreas relacionadas, como o córtex auditivo, para criar a sua própria fortaleza: uma nova zona especializada, a Área da Forma Visual das Palavras. Isto acontece sempre, quer se tenha aprendido a ler aos seis anos ou já na idade adulta.

O que se passa é que na falta de ordens evolutivas codificadas no nosso ADN,  o cérebro de cada pessoa que aprende a ler se modifica para acomodar as novas capacidades, porque tem uma grande capacidade plástica.

Elaborado com base no artigo de Clara Barata publicado no Jornal Publico de 13 de Novembro de 2010
Imagem retirada de Vestibular2011