sexta-feira, 29 de junho de 2012

kit de ferramenta multilingue



Um kit de ferramenta multilingue para a formação de profissionais de modo a auxiliar as pessoas que trabalham nas áreas de educação, formação e emprego em toda a Europa, se certifiquem que todos estão a usar termos comuns. Este é o objetivo das ferramentas linguísticas do Cedefop- a sinopse do Thesaurus multilingue Europeia para a Formação.
Esta publicação, que está disponível online em formato pdf gratuitamente, é uma seleção de 1207 termos e conceitos que aparecem com frequência na literatura relacionada à educação profissional e de formação europeus (VET) de pesquisa e políticas.
Cada termo / conceito é apresentado em 11 línguas: Dinamarquês, Holandês, Inglês, estónio, finlandês, francês, alemão, italiano, polonês, Português e Sueco. Os tópicos abordados incluem habilidades necessidades e carências, a aprendizagem ao longo da vida, a educação profissional e política de formação, avaliação e certificação dos resultados da aprendizagem, o reconhecimento de certificados e diplomas, e orientação profissional.
Aceder na  cedefop.europa.eu

As novas metas curriculares


Keith Haring drawing in the New York City Sabway, 1981

As novas metas curriculares definem os conteúdos que devem ser trabalhados e adquiridos, ano a ano, e serão obrigatórias a partir do ano letivo 2013/14, indicou ontem o Ministério da Educação e Ciência, em comunicado. Até 23 de Julho, as propostas estarão em consulta pública.
Serão uma “uma referência da aprendizagem essencial a realizar pelos alunos em cada disciplina, por ano de escolaridade”. São “objetivos cognitivos muito claros” refere o ministro da educação Nuno Crato.

A versão final está prometida para o princípio de Agosto. Estas metas substituem as que foram mandadas elaborar pela anterior ministra Isabel Alçada e que começaram a ser adotadas pelas escolas no ano passado. A adesão era voluntária. A sua substituição por outras foi justificada por Nuno Crato com a necessidade de as “tornar mais precisas e claras”. As metas elaboradas no mandato de Alçada foram feitas por um grupo de trabalho coordenado pelo professor do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Natércio Afonso. As que são agora propostas estão a cargo de um outro grupo coordenado pela professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, Isabel Festas.
Fonte: Publico de 29.06.12

O ministro Nuno Crato confirma com esta medida educativa,  o reconhecimento que sempre expressou, pela psicologia cognitiva. 

CONSULTAR as propostas das metas curriculares em portugal.gov.pt e em http://www.dge.mec.pt/. assim como o  Despacho n.º 10873/2012 que se encontra neste blogue na Etiqueta Legislação.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A lei para todos



Apresenta a plataforma Law For All que  simplifica o acesso às  leis. É uma deia de Ines Portela. Um exemplo de empreendedorismo e cidadania.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Vídeo currículo


O que é um vídeo currículo?
Como instrumento de promoção pessoal, na procura de uma oportunidade no mercado de trabalho, um vídeo currículo oferece mais que uma simples apresentação em texto, ao expor as suas habilidades enquanto comunicador, humor, filosofia de vida e outras características da sua personalidade.
A Curriculos.tv é uma empresa que cria o seu vídeo currículo em digital broadcast.
Também para as empresas - encontre a pessoa certa para a sua empresa ou instituição no Currículos TV

Empreendedorismo Feminino - manuais e videogramas


O empreendedorismo é um fator de grande importância, pois contribui para o desenvolvimento económico. Muitas das empreendedoras não escolheram aquela atividade por encontrarem em si uma aptidão especial, mas antes pela ocorrência de situações como a perda de emprego, necessidades familiares ou de independência. Tratando-se de uma decisão muito complexa, a obra Empreendedorismo Feminino (em doc. digital), visa mostrar as variáveis de natureza pessoal, técnica e social que lhe estão subjacentes.
Esta obra dirige-se a formadores/as que se interessam pela temática do empreendedorismo feminino, ou do empreendedorismo, em geral.
Os manuais e videogramas que a integram abrangem duas áreas: “Empreendedorismo Feminino, que percorre temas como a igualdade de género e empreendedorismo, imigração feminina, planeamento e gestão do tempo, que inclui alguns exercícios, comunicação, liderança, proatividade, e motivações e vantagens do empreendedorismo feminino.
Segue-se “Passos a seguir para a Criação do seu Próprio Emprego”, onde se analisam fatores como a conceptualização da ideia de negócio, o financiamento, a forma jurídica da sociedade, o recrutamento de recursos humanos e o controlo da execução do projeto, acompanhados de exercícios práticos de aplicação sobre cada tema.
A fim de apoiar a intervenção dos formadores, esta obra inclui ainda um manual de exploração pedagógica dos videogramas.

Autor: Bee Consulting, Lda. com financiamento do programa RUMOS, através da Direção Regional de Qualificação Profissional (Madeira). Aceder, aqui (todos os doc.) e aqui (o Manual para Formadores).

Fonte: NetForce IEFP





domingo, 24 de junho de 2012

Guia para Professores e Educadores - Trissomia 21




A Associação Olhar 21 surgiu da união de dois Grupos de Pais (TriSolMira e Coimbra 21) que tinham em comum ter um filho com Trissomia 21.
Esta associação disponibiliza no seu site o Guia para Professores e Educadores - Guia de Boas Práticas Intervenção Educativa na Trissomia 21 - AQUI - destinado a quem intervêm com crianças e jovens com Trissomia 21, em contexto escolar, com o objetivo de sugerir orientações pedagógicas adequadas à especificidade desta população.
O site da Olhar21: olhar21.com

sábado, 23 de junho de 2012

Ansiedade nos exames


Os exames são situações que proporcionam alguma ansiedade, sendo que, alguns alunos se queixam de altos níveis que paralisam o pensamento e que afetam o tão desejado desempenho.
Aqui fica um conselho para lidar melhor com a ansiedade nos exames, retirado da investigação de Gerardo Ramirez e Sian L. Beilock, publicada com o título “Writing About Testing Worries Boosts Exam Performance in the Classroom”, que já de si concretiza a dita recomendação:
  • Antes dos exames, escreva um pequeno texto sem preocupações pela qualidade da escrita, mas que expresse os seus receios face à dita situação. Tem de “olhar para dentro de si”, e confrontar-se com os seus maiores medos, mesmo que lhe pareçam irracionais (é normal). Trata-se de pensar e nomear a sua própria experiência emocional, que uma vez identificada o que o faz ficar ansioso, então talvez as ansiedades se modifiquem.
Bons exames
Aceder à investigação aqui
Imagem retirada daqui

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Revista E-PSI

A REVISTA ELECTRÓNICA DE PSICOLOGIA, EDUCAÇÃO E SAÚDE - E-PSI, contém artigos científicos de acesso livre. Aceder à revista em:

terça-feira, 19 de junho de 2012

CAE-Rev.3


A Classificação Portuguesa de Actividades Económicas, Revisão 3 (CAE-Rev.3), aprovada pelo Decreto-Lei nº 381/2007, de 14 de Novembro, que substituiu a CAE-Rev.2.1 a partir de 1 de Janeiro de 2008, encontra-se aqui. ou https://www.ine.pt/

Pedro Strecht - Assim seus olhos

As crianças e os adolescentes são sempre seres dependentes e vulneráveis e não podem nem devem ser deixados emocionalmente sozinhos.


A propósito do lançamento do novo livro do pedopsiquiatra Pedro Strecht Assim seus olhos, editado pela Assírio&Alvim, que chegará às livrarias na próxima segunda feira, algumas das suas declarações à jornalista Paula Torres de Carvalho do Público (19.6.12):
Este livro aborda os efeitos, nas crianças, do divórcio dos pais, assim como outras causas do sofrimento infantil, num tempo marcado pela falta de tempo para a criança, mas também  “o lugar da esperança no futuro das crianças e adolescentes.”

( O papel fundamental dos pais) “na concepção de um novo mundo psíquico com plena aptidão a funcionar posteriormente de forma autónoma.”

“O que procuram os pais quando cessam uma relação e acima de tudo, reclamam os seus direitos não olhando aos da criança, o seu próprio filho/a?.”

Se a separação (dos pais) ocorre pela sucessiva falha na relação, porquê perpetuá-la temporalmente pela manutenção (e, por vezes, ampliação) do conflito que a originou?.”

“Será que, a partir de determinado momento o conflito em si e a energia psíquica que o próprio consome são mais importantes do que qualquer esforço emocional para (re)colocar os filhos no lugar que lhe é devido?”

(As crianças e os adolescentes) “são sempre seres dependentes e vulneráveis e não podem nem devem ser deixados emocionalmente sozinhos”

Pode morrer-se de solidão afetiva”, como já escrevia René Spitz nos anos de 1940, a propósito dos seus estudos sobre depressão infantil.

Strecht fala também do “precoce murchar” de crianças vítimas de pobreza, citando o psicanalista João dos Santos: “Algumas pessoas morreram aos 30 anos mas acabaram por ser enterradas depois dos 70”. É que, na verdade, muitas crianças adoecem (ou morrem mesmo) aos três ou aos sete anos e nunca mais recuperam o “ânimo”, quer isso seja expresso em alegria, força ou alimento de uma razão de ser que permita continuamente ir mais além: fisicamente vivos estão de facto psiquicamente mortos

Esperança
(A importância da necessidade da esperança) “dependente da capacidade de trabalhar, lutar, viver para algo porque esse desígnio é importante ou bom e não apenas porque há sobre ele a hipótese de se ser bem- sucedido”.

domingo, 17 de junho de 2012

O trabalho deixou de proteger as pessoas da pobreza

Eis as declarações do sociólogo Agostinho Rodrigues Silvestre a Natália Faria, no Publico de ontem, a propósito da comunicação que vai apresentar no VII Congresso Português de Sociologia que irá de decorrer em breve (ver Etiquetas Eventos).
Deixo-vos aqui essas declarações, pela sua lucidez e para repensarmos os comentários (generalistas) que fazemos sobre os jovens não terem valores de trabalho:
“O trabalho deixou de constituir uma proteção contra a pobreza, tendo-se transformado num mecanismo de aprofundamento das desigualdades sociais".

(O trabalho está a deixar de ser veículo de emancipação e, mais do que isso,) "a necessidade de as sociedades se reorganizarem para deixarem de ter no trabalho a primordial fonte de rendimento dos cidadãos"..


"O desemprego em Portugal cresceu de uma forma consistente entre 2000 e 2010, ou seja, numa década passou de 4% para 11% e o que a crise veio fazer foi apenas agudizar essa tendência. O que isto nos mostra é que o modo como as sociedades se organizaram a partir da revolução industrial, mas sobretudo a partir da II Guerra Mundial - em que o trabalho se consolidou como princípio organizador da vida individual e colectiva e foi proclamado como referência identitária e medida das permutas sociais - vai ter que sofrer uma profunda transformação".


"O próprio sistema de proteção social está muito ligado à posição que o indivíduo ocupa no sistema produtivo e a ideia que tem vindo a ganhar consistência, nalguns movimentos intelectuais e nalgumas linhas de investigação, é que esta lógica terá que ser substituída por aquilo a que se tem chamado rendimento médio de cidadania, a atribuir a cada cidadão independentemente da posição que este ocupa no sistema produtivo".


(De onde viria o dinheiro?) "Por via de uma reformulação total do sistema de Segurança Social, isto é, pela canalização dos recursos afectos a abonos de família, reformas, etecetera, para esse rendimento médio. É uma ideia polémica, mas há cálculos que demonstram que 80% do que se gasta hoje com essa proliferação de apoios chegariam para pagar a todos os cidadãos com mais de 18 anos esse rendimento médio, cujo valor teria que ser discutido, não ao nível de Portugal ou Espanha, mas de toda a Europa e até do mundo ocidental."
"O Estado põe no indivíduo a responsabilidade de procurar emprego, o que, numa altura em que o trabalho entrou em desordem mas continua a habitar a ordem social, pode significar forçar os cidadãos a procurar uma coisa que não existe".

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A psicologia em contexto escolar


É chegado o momento de, nós psicólogos em contexto escolar, elaborarmos o nosso Plano Anual de Atividades e repensarmos nas intervenções a desenvolvermos para o próximo ano letivo.
Nesta sequência, quero deixar aqui a página do Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento de Escola de Fiães, sendo responsável o psicólogo Pedro Alexandre Leão, como exemplo de boas práticas.Esta é a página do SPO ( aqui ) onde encontra uma variedade de recursos, e este o seu Plano Anual de Atividades de 07/08 ( aqui ).

terça-feira, 12 de junho de 2012

Manual inovador de Matemática A - 12º ano


O matemático Jaime Carvalho e Silva, da Universidade de Coimbra (UC), lidera uma equipa que desenvolveu um Manual inovador de Matemática para o 12º ano de Matemática A, gratuito, em formato digital.

Mais do que um conjunto de exercícios, o Manual, denominado NiuAleph 12 – Manual de Matemática para o 12º ano de Matemática A (AQUI ou AQUI ) dá conselhos para a preparação de exames e apresenta textos de leitura sobre a disciplina. O objetivo, explica Jaime Carvalho e Silva, é «dotar os estudantes com várias ferramentas realmente úteis que, embora não substituam o estudo regular e o trabalho empenhado, possam ser realmente lidas e trabalhadas pelos estudantes».

Uma das principais razões para avançar com um manual digital gratuito prende-se, segundo o matemático da UC, "com a crise que o país atravessa."




quarta-feira, 6 de junho de 2012

Portal Genes et al.



O Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, lançou o Portal Genes et al.: http://genesetal.igc.pt/

Destinatários
Professores de todos os ciclos de Ensino Pré-Universitário (Básico e Secundário);
Educadores e comunicadores de ciência;
Curiosos pelas Ciências da Vida.

O que é o Portal
O Genes et al. é um sítio sobre genes, células, sistemas e seres vivos, que reúne recursos para a aprendizagem das Ciências da Vida, desenvolvidos pelo IGC.

Ojectivos do Portal
Pretende-se informar, inspirar e estimular a curiosidade pela ciência e, sobretudo, o espírito crítico de quem o visita.

Recursos do Portal
Disponibiliza atividades experimentais adaptadas para o ambiente de sala de aula, vídeos e animações que ilustram processos biológicos, textos de revisão sobre áreas de investigação de ponta - a Biologia de hoje. Todos os conteúdos, de acesso gratuito, foram verificados por cientistas do IGC e testados com alunos e professores.

Imagem retirada daqui.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Efeitos do stress materno no cérebro do feto


Durante a gestação, o efeito do stress materno no cérebro do feto, é o tema do estudo publicado com o título The Role of Stress in Brain Development - The Gestational Environment’s Long-Term Effects on the Brain.
Dependendo da causa, duração e intensidade do stress, verificaram-se alterações na estrutura e conexões do cérebro do feto.
Aceder a esta investigação em  dana.org

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Fazemos 2 anos !

Photobucket

É verdade. Este blogue fez 2 anos no passado sábado.
Lembro-me do momento em que tive a ideia de o criar, como se fosse hoje.
A minha maior preocupação é fazer dele uma fonte de recursos para a comunidade, no âmbito da minha área de intervenção.
Dedico-lhe muito tempo, não mais do que habitualmente costumava dedicar a esses assuntos. É a expressão do meu rotineiro interesse pelo mundo e pela intervenção da psicologia. 
Os textos não são narrativas pessoais. Sacrifiquei esta perspetiva à necessidade de colocar, com prontidão, as temáticas da atualidade aqui apresentadas.
Obrigada por passar por aqui.

Joaquim Coimbra - Entrevista



A entrevista de Natália Faria ao psicólogo Joaquim Luis Coimbra,  com o título "O desemprego é tão comum que os jovens já não o sentem como estigma" que saiu no Jornal Público de 3.6.12. Joaquim Coimbra é  professor de psicologia na Universidade do Porto:
"Joaquim Coimbra sustenta que o trabalho como valor de troca vai desaparecer e que esta crise deveria servir para nos pôr a discutir um novo paradigma social.
Joaquim Luís Coimbra, 57 anos, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Universidade do Porto, tem baseado a sua investigação na área do desenvolvimento psicológico e social dos jovens e na educação e formação de adultos. Sustenta que os jovens não estão deprimidos com o desemprego porque, ao contrário dos mais velhos, não foram sociabilizados para terem no trabalho um "imperativo moral". E lembra que, sob a actual crise social e económica, se esconde outra, mais funda e que, mais cedo ou mais tarde nos há-de obrigar a repensar a nossa relação com o trabalho sob a forma de emprego com valor económico.

O Eurostat diz que a taxa de desemprego jovem em Portugal chegou aos 36,6%. Os jovens estão deprimidos?
J. C: Preocupados, com certeza, mas não diria deprimidos. Essa associação geral entre desemprego e um humor mais depressivo e mesmo depressão verifica-se com pessoas da meia-idade e por aí adiante. Os jovens não estão deprimidos, até porque têm o apoio das redes sociais e da família, e, por outro lado, o desemprego é tão comum, tão normativo entre eles que não o sentem como um estigma. Nas gerações mais velhas, sim, estar-se desempregado é estigmatizante e desqualificante.

Se considerarmos que a maioria das pessoas se baseia naquilo que faz para construir a sua identidade pessoal e social, que peso tem o "efeito desemprego" na forma como os jovens se relacionam socialmente?
J. C: De facto, uma base da construção da identidade - pessoal e social - nas nossas sociedades é a nossa relação com o trabalho. Mas, contrariamente àquilo que se pensa, esta relação com o trabalho, como forma de emprego e de actividade produtiva, não é uma variante da história da humanidade: é uma invenção do século XIX. Já nem me refiro ao facto de o trabalho ser um objecto de profundo desprezo na Grécia Clássica e na cultura romana, nas quais aos cidadãos competiam actividades nobres, da relação com as artes, com a filosofia e com o governo das cidades. Foi a I Revolução Industrial que nos transformou em trabalhadores produtivos e em empregados sob conta de outrem. Mas agora surgem fenómenos novos que têm a ver com a globalização e com uma nova divisão mundial do trabalho e da produção. Esta profunda crise europeia também se deve à perda de capacidade competitiva da Europa em relação a outras economias emergentes do planeta e a Europa não vai continuar a produzir e a ser competitiva nas áreas em que tem sido até agora. Portanto, esta divisão do trabalho, da economia e da produção origina desemprego para os nossos lados. Além disso, convém lembrar - e isso é das poucas coisas que podemos tomar como certas - que o desenvolvimento da tecnociência é imparável e permite produzir cada vez mais bens e serviços com cada vez menos trabalho humano. E isso, a constatação de que não vivemos em sociedades de pleno emprego, é algo que estranhamente está fora do discurso político, o que não ajuda as pessoas a encontrarem uma nova forma de acomodação na sua relação com o trabalho.

Deveríamos estar a aproveitar esta crise para procurar um novo paradigma?
J.C: O que deveríamos estar a questionar é a continuação do trabalho como valor de troca, sob a forma de emprego com valor económico. Claro que nem se põe em causa a necessidade de políticas activas de emprego, mas não nos podemos esquecer que, mesmo quando houver uma retoma e um crescimento do PIB, isso não se vai traduzir nas expectativas clássicas de criação de emprego. A produtividade de hoje é o triplo da que era nos anos 1970! E não podemos continuar a ignorar que as nossas sociedades se tornaram estruturalmente excludentes, isto é, para se manterem neste equilíbrio precário, produzem cada vez mais lixo social e cada vez mais exclusão que está a atingir cada vez mais camadas da população. Os jovens, por exemplo, não eram tradicionalmente uma camada da população que fosse atingida por isto. E, voltando um pouco atrás, lembro-lhe que a nossa relação com o trabalho, embora seja básica e fundamental na construção da nossa identidade, também já se alterou há muito tempo. Há quase 100 anos, o colapso do sistema financeiro, naquela sexta-feira negra de 1929, levou a uma crise económica e social profunda, tanto na América como na Europa, que acabou por estar na base da II Guerra Mundial. E essa crise, mais do lado norte-americano, teve uma resolução bastante rápida, tão rápida que, durante a II Guerra Mundial, passado pouco mais do que uma década, os americanos estavam a salvar a Europa da sua própria autodestruição e, depois, a financiar a sua reconstrução. Portanto, a crise resolveu-se muito rapidamente na América do Norte e teve três protagonistas importantes: o presidente Roosevelt, [John] Keynes, como economista, e [Henry] Ford, como empresário. Ora, Ford, para além de ter aderido ao apelo de Roosevelt para aumentar o salário dos trabalhadores em plena crise, pensou uma coisa do género "Os operários da minha fábrica têm que ter capacidade para comprar o produto que fabricam", o Ford T, e, de facto, o valor de produção baixou de tal maneira que os operários se tornaram capazes de comprar o automóvel. E isto é simbólico, mas não é só simbólico, porque foi aí que passámos do estatuto de trabalhadores para o de consumidores. Hoje em dia, e para voltar à questão dos jovens, é mais importante estar dentro do circuito do consumo do que do trabalho.

E o facto de estes jovens não estarem no circuito trabalho põe em risco o seu lugar no circuito do consumo, a não ser que pensemos que as famílias vão poder continuar no seu papel de financiadores.
J.C: De facto, as famílias são as grandes financiadoras destes adultos emergentes, que são uma nova categoria social e psicológica de jovens, e desta crise social e económica - e não falo da crise actual originada pela divida e pelo défice em Portugal, mas de uma crise mais profunda de reorganização das nossas sociedades. Não havendo espaço social para estes jovens, porque o mercado do primeiro emprego não funciona ou funciona de uma forma débil, fraca e lenta, o grande financiador do problema são as famílias que vão mantendo estes jovens nos circuitos de consumo. E, apesar de tudo, há políticas sociais que vão pondo na mão destes jovens algum dinheiro que também ajudam a que se mantenham no estatuto de consumidores.

Mas a que saídas podem os jovens aspirar?
J.C: Essa questão tem a ver com as determinantes mais imediatas da crise, que é capaz de se aliviar um pouco dentro de alguns anos. Mas as causas mais profundas vão permanecer e essas têm a ver com o facto de não precisarmos de tanta gente no emprego. Julgo que poderemos chegar a um ponto, não sei se daqui a 20, se daqui a 100 anos, em que apenas 10% da população será necessária para prover todas as necessidades de bens e serviços. É um bocado como naquela representação da unidade produtiva do futuro, que funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano, controlada electronicamente e que tem como mão-de-obra um engenheiro e um cão, e o cão é para impedir que o engenheiro faça alguma coisa. Isso é anedótico, mas dá-nos a representação do que é que pode ser um futuro em que a humanidade se libertará da condição de ter que lutar diariamente pela sobrevivência, e em que trabalharemos não para o negócio mas para o ócio. Isto é especulativo, mas parece-me mesmo que, mais tarde ou mais cedo, teremos que estar a repensar todas as bases em que a nossa sociedade está organizada.

Até lá como é que esta geração se encaixa?
J.C: Com muitas dificuldades, com muitas adversidades, com muita escassez de oportunidades, os jovens vão encontrando maneiras de lidar com isto de forma criativa. Claro que a transição da formação para o emprego é muito mais lenta, passa por muito mais vicissitudes, é um itinerário feito de muitas mais descontinuidades e alternâncias, mas os jovens vão-se integrando. E na psicologia destes jovens adultos não há sinais de que haja mais insatisfação. Eles têm consciência dos problemas, evidentemente, mas também têm consciência das potencialidades. É a geração mais qualificada de sempre e, portanto, a mais equipada. Mas não quero cair na leviandade do discurso sobre o empreendedorismo a qualquer custo, porque o que se passa é que estes jovens com qualificações de nível superior vêem-se muitas vezes obrigados a aceitar propostas muito precárias e até insultuosas de vencimentos de 400 euros. E não vemos políticas activas de emprego nem nada que promova um capital de esperança para que estes jovens continuem a persistir na procura de um emprego estável, mas, enfim, dá-me a ideia de que a sensatez deles é superior à dos nossos políticos.

A percentagem de jovens que vive em casa dos pais é muito elevada em Portugal, em comparação com a média Europeia. Isso decorre da acomodação dos jovens ou do facto de verem a sua vida em suspenso por causa da dificuldade em obterem emprego?
J.C: Nós temos números mais elevados porque somos mais pobres e estamos a empobrecer muito rapidamente mas esse é um fenómeno transversal a toda a cultura Ocidental, quer do lado de cá do Atlântico quer do lado de lá. O mercado de trabalho transformou-se de tal maneira, tornou-se tão instável, que não permite qualquer base segura para construir projectos de futuro. Hoje em dia os jovens têm dificuldade até em alugar uma casa quanto mais comprar. Mas isso é um problema geral da Europa.

Mas este ficar não é contaminado também por alguma preguiça ou comodismo, no sentido em que não estarão dispostos a abdicar de para ganharem autonomia?
J.C: Não diria isso. E não é isso que a investigação, nomeadamente a feita em Portugal, diz. Eles ficam porque são forçados a ficar. Porque os que têm alternativa saem e por isso é que está a aumentar também o número de jovens que vivem sozinhos. Agora, não temos as políticas sociais da Dinamarca que ainda consegue dar quase automaticamente a um jovem que sai da casa dos pais um subsídio para ele ter um mínimo de autonomia económica e financeira. Mas não é por terem um hotel de cinco estrelas com preços muito económicos que eles ficam em casa dos pais. E, por outro lado, também é verdade que a família portuguesa está muito mais democrática, aquela expressão "Enquanto estiverem em casa sou eu que mando" já não funciona, os pais têm tendência a respeitar os projectos dos seus filhos, os seus estilos e o padrão de vida que têm, a maneira como gerem o tempo e a sua privacidade, e tudo isto cria condições para que o ficar em casa não seja uma experiência tão dolorosa para os jovens. É uma experiência por default, mas, apesar de tudo, não é tão dolorosa quanto isso para os jovens. Se o for é para os pais que estão a financiar isto tudo.

Continuando com esta geração no seu divã, acha que ela, fruto das circunstâncias, já encontrou novas formas de socialização ou continua a digerir essa sensação de não encaixe?
J.C: Está a encontrar, em sociedades extremamente individualizas. E sociedades individualizadas quer dizer que são sociedades em risco, nomeadamente de exclusão, e em que podemos estar entregues a nós próprios, nomeadamente em momentos de dificuldades em que nem sequer o nosso vizinho do lado nos acode. Portanto, há uma fragmentação, uma erosão dos laços sociais e um desaparecimento até da ideia de comunidade. Mas o outro lado dessa moeda é um lado interessante: é que a margem de manobra, sobretudo destes jovens, para governarem as suas vidas e para se transformarem naquilo que querem nunca foi tão grande como hoje. O peso das normas sociais diminuiu muito e hoje os jovens definem-se e à sua identidade pelo estilo de vida que adoptam.

E tudo isso é uma reacção saudável a este quase estatuto de lixo social de que falava há bocado?
J.C: É uma das faces da moeda. A face em que as pessoas têm maior autonomia e margem de manobra para, individualmente, escolherem e governarem a sua vida. Em consonância com aquela expressão que faz parte de uma emenda à Constituição dos Estados Unidos, "the right to be left alone", as nossas sociedades são menos normativas e menos disciplinares do que eram no passado, e, hoje em dia, as pessoas têm direito de ser o que lhes apetece. As pessoas até dizem que respeitam a liberdade de escolha da orientação social - ora ninguém escolhe a orientação sexual, ela é resultado de um processo muito mais complexo - mas isso é visto como uma escolha e é respeitado.

Como imagina daqui a uma década esta geração que está agora entre os 25 e os 30 e poucos anos e a lutar por se inserir?
J.C: Se calhar como está hoje a geração dos anos 60 que fez o Maio de 1968 ou o flower power nos Estados Unidos e que está hoje a chegar à terceira idade. Esta geração pode ter que levar mais tempo, e se calhar até que pagar mais, para chegar à vida adulta na sua plenitude, com todas as suas responsabilidades e com todos os seus papéis reconhecidos socialmente. Mas vai lá chegar e vai ter que assumir mais tarde ou mais cedo a responsabilidade pelo mundo, como as gerações anteriores também assumiram.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Declaração de Retificação nº 24/2012

Já se encontra publicada a Declaração de Retificação nº 24/2012 D.R. nº 92 que retifica a Portaria n.º 91/2012, de 30 de março, do Ministério da Educação e Ciência, e procede à segunda alteração à Portaria n.º 550-E/2004, de 21 de maio, que cria diversos cursos do ensino recorrente de nível secundário, que aprova os respetivos planos de estudos e aprova o regime de organização administrativa e pedagógica e de avaliação aplicável aos cursos científico-humanísticos, aos cursos tecnológicos e aos cursos artísticos especializados, nos domínios das partes visuais e dos audiovisuais, de ensino recorrente de nível secundário, publicada no Diário da República, 1.ª série, n.º 65, de 30 de março de 2012.
Aceder aqui.