quarta-feira, 29 de abril de 2015

A Cartilha de Alienação Parental



A Cartilha de Alienação Parental - Associação Brasileira Criança Feliz - foi concebida para informar aos profissionais das áreas do conhecimento humano que lidam com crianças e adolescentes, tanto no trato jurídico, como psicológico, bem como nas questões de saúde física e mental, colocando de forma organizada e bem clara o que significa Alienação Parental, suas causas e consequências.

DSM V - Alterações dos diagnósticos e terapia da fala


A 5ª edição do Diagnostic and Statistical Manual foi publicado no passado verão de 2013. Elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), pretende ser um manual diagnóstico e estatístico para determinar diagnósticos de perturbações mentais.
Leia o artigo  sobre o DSM V e as  alterações dos diagnósticos na terapia da fala, em: http://lifestyle.sapo.pt/

As novidades para o contexto escolar, do novo DSM5 http://saludyeducacionintegral.com

terça-feira, 28 de abril de 2015

LIVRO DIGITAL: À Descoberta da Europa !




Autor(es) institucional(ais): 
Comissão Europeia, 
Direcção-Geral da Comunicação
Autor(es) particulare(s): 
Birte Cordes, 
Ronald Köhler
Temas: 
Cultura
Público-alvo: 
Jovens
Palavras-chave: 
história da Europa, 
geografia, 
cultura, 
material de ensino, 
jovem,
Europa

Europa: um belo continente com uma história fascinante. Muitos dos mais famosos cientistas, inventores, artistas e compositores mundiais, bem como populares artistas e grandes desportistas são europeus. Durante séculos, a Europa foi devastada por guerras e divisões. No entanto, nos últimos 60 anos, os países deste velho continente reuniram-se finalmente na paz, na amizade e na unidade, para construírem uma Europa e um mundo melhores. Este livro para crianças (entre os 9 e os 12 anos) conta a história de uma forma simples e clara. Repleto de factos interessantes e ilustrações coloridas, apresenta uma visão dinâmica da Europa e explica resumidamente o que é a União Europeia e como funciona

Anna Lucia Campos - Educação Infantil de qualidade na primeira infância



Educação Infantil de qualidade na primeira infância (Anna Lucia Campos) Fundação Lemann
Anna Lucia Campos, presidente da Asociación Educativa para el Desarrollo Humano e Diretora Geral da ONG Cerebrum, falou sobre a importância dos estímulos do nascimento até os 8 anos de idade na educação das crianças. 

domingo, 26 de abril de 2015

Mauro Paulino: “Todo o ensino passa por dizer pilinha e pipi em vez de pénis e vagina”


Entrevista de Ana Henriques, ao psicólogo Marco Paulino, que saiu no Publico de hoje, com o titulo “Todo o ensino passa por dizer pilinha e pipi em vez de pénis e vagina”:

Mauro Paulino, um psicólogo clínico e forense com um mestrado em Medicina Legal, viu-se no centro da polémica relacionada com a criação das listas de pedófilos quando a ministra da Justiça caucionou esta opção política aludindo às “elevadíssimas taxas de reincidência” dos pedófilos mencionadas numa entrevista que deu em 2009, na sequência da publicação de uma obra sua sobre abusadores sexuais de crianças. Apesar de ter recentemente desmentido essas estatísticas, elas continuam a ser citadas.

A ministra da Justiça vai esta quarta-feira ao Parlamento defender a sua proposta de lei das listas de pedófilos, segundo a qual os pais com fundadas suspeitas sobre determinada pessoa poderão ser autorizados pela polícia a saber se determinada pessoa da sua área de residência foi ou não condenada por abuso de menores. O psicólogo forense Mauro Paulino, que faz perícias a abusadores e a crianças abusadas, pensa que é o tipo de coisa que desvia as atenções do que é fulcral nesta matéria: educação sexual nas escolas, ter pais sem medo de lidar com a sexualidade dos filhos e tratar, do ponto de vista psicológico, quem cumpre pena na cadeia por este crime.
Onde radica o equívoco  relacionado com as taxas de reincidência dos abusadores de menores?
A taxa de reincidência dos abusadores varia entre 15 e 20%, dependendo dos estudos. No meu diz-se que 80% dos abusos de menores ocorrem em contexto intra-familiar, sendo que 80% a 90% desses 80% são cometidos por pais. São as únicas vezes que lá aparece esse número. Nunca ninguém do Ministério da Justiça falou comigo até hoje. O que é estranho, não é? Quando se quer fazer uma mudança legislativa, se sabemos que há um investigador português na matéria podemos pelo menos contactá-lo.
A proposta de lei diz que quem pode vir a saber se existe ou não alguém condenado por abuso de menores na sua área de residência são precisamente os pais, ou os educadores...
Mesmo que a taxa de reincidência dos abusadores fosse mais alta havia uma série de questões à volta disto que teriam de ser operacionalizadas. Muitas vezes a família depende economicamente do agressor. Por isso silencia o abuso sexual. Os pais podem ficar tranquilos perante determinado agressor pelo facto de o seu nome não constar da lista. Ora ele pode nunca ter sido condenado e nesse caso a criança continua a ser abusada por ele. A taxa de reincidência da violência doméstica é da ordem dos 53%.
Um site brasileiro, país onde já trabalhou, também lhe atribui a divulgação deste dado estatístico...
Não conheço, Mas, pela terminologia que estou agora a ver que foi usada da notícia, a informação parece vir também na notícia do Expresso. E a data da notícia desse site é anterior ao meu primeiro trabalho no Brasil.
Como se sente ao ver o seu trabalho ser usado para caucionar esta proposta de lei?
Incomoda-me. Se existem estudos nesse sentido não tenho conhecimento deles. Nunca vi semelhantes taxas de reincidência. Eu não tenho qualquer intenção política. A minha preocupação é enquanto profissional da psicologia, enquanto investigador.
A compulsividade de que se fala em relação aos abusadores é real?
Depende dos abusadores. A literatura distingue os abusadores primários, ou preferenciais, que estão sobretudo associados a situações de pedofilia. E aí há uma compulsão maior porque estamos perante uma perturbação da sexualidade: o sujeito só se excita perante determinado estímulo, crianças neste caso. Depois temos os abusadores situacionais ou secundários, mais ligados – não quer dizer que sempre – a situações de incesto, que não têm necessariamente de ter uma compulsão, porque não sofrem necessariamente de uma perturbação da sexualidade.
No primeiro caso estamos a falar de algo incontrolável?
Depende dos recursos do agressor: se se consegue afastar das crianças, se tem acesso a eles. Pelo seu modus operandi sabemos que procuram estar em contacto com elas – fazendo voluntariado em campos de férias ou em escolas, por exemplo.
A actual legislação portuguesa previne o suficiente?
Não. Começa logo pela falta de educação sexual nas escolas e pela falta de tratamento psicológico nas prisões das pessoas que já foram condenadas.
Há muitos pais que hoje ainda têm algum preconceito em avisar os filhos sobre o que lhes pode suceder?
Há ainda uma grande resistência – embora cada vez menos – dos pais em abordar temáticas da sexualidade, em preparar os filhos para a vida sexual.
Isso não põe a criança em risco?
Põe mais em risco, sim. A criança devia aprender desde cedo que zonas do corpo podem ou não ser tocadas – e caso isso aconteça a quem podem ou não recorrer. Há várias formas de ensinar isso. Uma criança com quatro ou cinco anos pode muito bem pintar num desenho a vermelho as zonas do corpo que não podem ser tocadas e a verde as que que podem. “Estas zonas a vermelho só quando a mãe dá banho, ou quando vais ao médico”, pode dizer-se-lhe. O facto de isto não ser ensinado aumenta a probabilidade de abuso. Todo o ensino passa por chamar pilinha e pipi aos órgãos sexuais em vez de pénis e vagina, que são palavras proibidas. Se a criança lidar com a palavra pénis ou vagina com normalidade desde tenra idade, se tiver que as evocar fá-lo-á com mais facilidade: alguém mexeu, alguém fez. Outra coisa básica que se deve ensinar à criança desde cedo é que uma coisa são surpresas e outra são segredos. O abuso sobrevive mais tempo através do segredo. Por isso, temos de ensinar-lhe que os segredos têm um prazo – a festa-surpresa para a avô, por exemplo – e não se têm com todos os adultos.
A educação sexual cabe à escola ou aos pais?
A ambos. Começa por caber aos pais, mas na adolescência há coisas de que já não se falam com os progenitores – e aí é importante haver outro adulto significativo, na escola.
Já se deparou com casos de crianças que teriam conseguido escapar caso tivessem sido prevenidas pelos os pais?
Sim. Concerteza. Exemplo: os pais abandonam muitas vezes os filhos em frente ao computador e isso faz com que estejam mais vulneráveis. Depois têm sentimentos de culpabilidade, por não terem percebido que aquilo estava a acontecer.
O processo Casa Pia mudou qualquer coisa a este nível?
Mudou. Criou uma primeira fase de alarmismo social: qualquer manifestação de afecto a uma criança poderia configurar um abuso, na fantasia de alguns adultos. Agora tanto nestes casos como dos de violência doméstica pensa-se existir um fenómeno de iceberg: grande parte destes crimes continua a estar numa zona oculta. A prevalência é maior do que aquilo que é denunciado. Por outro lado, também há vários casos de divórcios litigiosos em que são feitas falsas acusações de abuso para afastar os pais dos filhos.
Que sinais dá uma criança abusada?
Não são um ou dois sinais que são preocupantes. Só há um indicador inequívoco de abuso sexual, e é raro: a gravidez. Mas existe uma série de indicadores físicos e comportamentais que, somados, podem criar uma constelação que identifica uma potencial situação de abuso: a criança deixar de cuidar da imagem, apatia, dificuldades em sentar-se, roupa interior rasgada ou com manchas. Outra questão que é importante referir é que existe a ideia de que o abusador sexual é um monstro. Mas na verdade não tem um rótulo na testa e muitos deles são pessoas de confiança dos pais. Os pedófilos, sobretudo, são bastante sedutores e manipuladores. Por outro lado, alguns estudos indicam que a maioria dos seus comportamentos são de sedução e de manipulação dos órgãos genitais, e não tanto de penetração.
Para não serem tão facilmente apanhados ou porque isso faz parte desta parafilia?
Acredito que seja uma mistura de ambas as explicações.
Até onde pode ir a justiça no cercear de direitos? Entre as soluções adoptadas em vários países estão a monitorização por chip electrónico, a castração química, a obrigatoriedade de informar os vizinhos quando se sai da cadeia…
A investigação mostra que não há ganhos significativos com estas medidas e que o seu custo não compensou. Um estudo de 2012 diz que o registo e notificação de agressores sexuais tem pouco efeito ao nível da redução da dissuasão da reincidência; e que os decisores políticos e os clínicos devem concentrar esforços nos criminosos sexuais identificados como sendo de elevado risco. Cada vez mais as políticas públicas têm de ser feitas com grupos de trabalho com especialistas. Temos uma Sociedade Portuguesa de Sexologia, temos uma Ordem dos Psicólogos e uma Ordem dos Médicos… e fazemos política como?
Estas organizações não foram consultadas para a proposta que vai quarta-feira ao Parlamento?
Não creio, porque senão não se tinha usado o título de um jornal que já foi desmentido. Fiquei surpreendido, não é assim que se faz política. As várias especialidades que podem dar o seu contributo para a resolução do problema têm de ser ouvidas.
Qual a melhor maneira de intervir neste fenómeno?
Psicologia clínica nas prisões, educação sexual nas escolas. Mas nesta altura temos três dezenas de psicólogos a trabalhar quase em part-time para cerca de 14 mil presos.
É a favor do uso de medicação?
Essa é outra ilusão. A castração química não resolve o problema: tira a erecção mas o agressor vai poder continuar a manipular os órgãos genitais da criança. O que é preciso é trabalhar o controlo dos impulsos, a baixa auto-estima, criar estratégias de resolução dos problemas perante situações de stress…
Isso resulta?
[mostra uma tabela do seu livro,  Abusadores Sexuais de Crianças: A verdade escondida] Tem aqui um quadro com os resultados de vários estudos que comparam a reclusão com e sem tratamento. E apesar de não reduzir para zero a reincidência eles mostram que, com tratamento, ela diminui. Quando se cria um registo de agressores não existem ganhos significativos, mostram os estudos existentes.
Jorge Sampaio falou em justiça de pelourinho, numa referência aos linchamentos que esta lei pode desencadear. Será um risco real?
Os dados de que tenho conhecimento não falam desse tipo de reacções – e sim de estigma social. Volto a sublinhar: têm de ser criados grupos de trabalho de especialistas. A ciência tem de ser ouvida.
Se esta lei for aprovada não mudará então o actual panorama?
Um estudo de 2011 diz-nos que o registo de criminosos sexuais e notificação dos mesmos não foi um preditor significativo de reincidência sexual ou geral. Falar na lista de pedófilos é desviar a atenção de questões fulcrais para a prevenção deste tipo de crimes: educação sexual nas escolas, intervenção nas prisões e capacitar os pais para saberem educar os filhos do ponto de vista da sexualidade.
Uma criança abusada torna-se sempre um adulto abusador?
Nem todas as crianças abusadas se tornam abusadores. Um estudo feito nos EUA mostra que abusadores que diziam ter sido abusados em crianças admitiam, quando sabiam que iam ser submetidos ao polígrafo, que isso afinal não lhes tinha sucedido. Mentiam por estratégia de desculpabilização.
Essa criança tem portanto hipóteses de recuperação?
Se for activada uma rede social de apoio, com intervenção psicológica.
Quando fala com um abusador o que alega ele em sua defesa?
É típico os abusadores de crianças apresentarem distorções cognitivas, no sentido de banalizarem ou legitimarem os seus comportamentos. Eles ameaçam a criança, ou pedem segredo – têm noção de que estão a cometer um ilícito. Mas alegam que a criança é sedutora, que os provoca, que sabe muito bem aquilo que quer. Também temos questões culturais: há uns anos os pais achavam-se no direito de iniciar sexualmente as filhas.
Como vê o papel das comissões de protecção de menores?
Apesar de toda a boa vontade dos técnicos e da competência quem as dirige, é impossível fazer um trabalho bem feito em part-time. Os técnicos vão lá dar um bocadinho do seu tempo. Não tem sentido. Há falta de discernimento, uma vez mais, para olharmos para o que a ciência nos diz: que fica mais barato prevenir do que intervir mais tarde. Em cada dólar gasto na prevenção estamos a poupar cinco.



sábado, 25 de abril de 2015

Relações românticas abusivas e violentas

IDENTIFIQUE  os SINAIS de ALERTA

O programa Headspace

Desde 2006, o programa Headspace. na Austrália, destinado à saúde mental da juventude abriu centros de serviço em todo o país oferecendo ajuda no desenvolvimento  físico, mental, social e prestação de cuidados, tendo alcançado um índice de satisfação de 93% entre os quase 100 mil jovens.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Manual e Fichas do método de 28 palavras para aquisição da leitura e escrita




http://pt.slideshare.net/CelinaSousa2/fichas-28-palavras-21217332

guia "Sexo, Amor e Vidas"



Falar sobre o amor, o sexo, a sexualidade e as relações – os altos e baixos e o que está ou não na moda. Os sentimentos e as ideias sobre sexo e sexualidade são influenciados por tudo e por todos, incluindo os amigos,família, cultura, televisão, anúncios, revistas.
O guia "Sexo, Amor e Vidas" dedicado a jovens adultos é um dos muitos materiais de Educação Sexual que pode encontrar de forma totalmente gratuita no site da APF - Associação para o Planeamento da Família!

terça-feira, 21 de abril de 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Portal Digital Fontes Macau-China


Novo projeto do OC, o Portal Digital Fontes Macau-China, o qual terá 120 mil páginas com todas as principais obras da literatura portuguesa sobre a Ásia e Macau-China em particular e passará a estar disponível na internet no endereço http://observatoriodachina.org/

domingo, 19 de abril de 2015

Trabalhando a Diversidade Sexual na Escola: Currículo e Prática Pedagógica



LIVRO: Trabalhando a Diversidade Sexual na Escola: Currículo e Prática Pedagógica
Alexandre Bortolini; Maria Mostafa Melissa Colbert; Pedro Paulo Bicalho; Roney Polato Thiago; Félix Pinheiro
1a Edição | Rio de Janeiro | 2014 

Publicado em 2014, o livro foi construído a partir das experiências e aprendizados desenvolvidos nas ações do Projeto Diversidade Sexual na Escola. A obra aborda questões como conceitos básicos, como sexo, gênero e orientação sexual, diversidade sexual e de gênero afeta o currículo e a prática pedagógica. Além das reflexões os autores apresentam inúmeras sugestões de atividades práticas

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Bel Pesce: 5 ways to kill your dreams



Escolha a sua língua


Projeto com estratégias e materiais para o ensino do português língua não materna


ILTEC promove projeto com estratégias e materiais para o ensino do português língua não materna, especialmente a estudantes do primário.

A experiência adquirida na realização do projeto Diversidade Linguística e os resultados com ele obtidos evidenciaram a necessidade de desenvolver investigação relativa ao ensino do português em contexto linguisticamente heterogéneo, o que levou à criação de propostas que, em diversos casos, podem beneficiar mesmo os alunos para quem o português é língua materna. Nesse sentido tornou-se clara, para a equipa do projeto, a necessidade de levar a efeito práticas inovadoras na aprendizagem do português como língua segunda e de criar materiais, estratégias e documentos orientadores do ensino do português em contexto multilingue. Com este objetivo foi apresentado pelo ILTEC à Fundação Calouste Gulbenkian, em 2008, e aprovado para financiamento, um projeto denominado Bilinguismo, aprendizagem do português L2 e sucesso educativo na escola portuguesa que vai ao encontro da atenção concedida pelo Ministério da Educação à diversidade linguística e cultural presente nas escolas portuguesas.

SABER mais http://www.iltec.pt/site-PLNM

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Lei n.º 28/2015

Lei n.º 28/2015 - Diário da República n.º 72/2015, Série I de 2015-04-14, da Assembleia da República
Consagra a identidade de género no âmbito do direito à igualdade no acesso a emprego e no trabalho, procedendo à oitava alteração ao Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro.

ACEDER AQUI

Despacho n.º 3687-A/2015


Despacho n.º 3687-B/2015 - Diário da República n.º 71/2015, 2º Suplemento, Série II de 2015-04-13
Ministério da Educação e Ciência - Gabinete do Ministro.

Prorroga o prazo estabelecido no nº.1 do Despacho nº. 3353, de 17 de março para as escolas públicas e privadas interessadas na candidatura a oferta formativa de cursos vocacionais no ensino básico e secundário, a iniciar no ano letivo 2015-2016, submetam o projeto no Sistema de Informação e Gestão da Oferta Educativa e Formativa (SIGO).

ACEDER Aqui

Para Submeter candidaturas de Cursos vocacionais
Sistema de Informação e Gestão da Oferta Educativa e Formativa (SIGO): 
http://sigo.gepe.min-edu.pt/areareservada/faces/Login.jsp

terça-feira, 14 de abril de 2015

Jogos Interativos de Leitura



Plataforma online, denominada de Jogos Interativos da Leitura”.
 Inclui oito histórias da autora Luísa Ducla Soares apresentadas em formato áudio e um conjunto de jogos digitais. Trata de um programa de literacia familiar, que procura fomentar interações positivas entre pais e filhos em idade pré-escolar em torno da leitura de livros e que, por sua vez, sejam promotoras de hábitos de leitura em casa e ao longo da vida.

Inteligência ou inteligências?


Programa da RTP Play - Sociedade Civil

Com a Psicóloga Andreia Cabral - Psicóloga Clínica da Oficina de Psicologia, entre outros convidados

imagem retirada de http://www.antroposofy.com.br/

REVISTA Meu Cérebro


http://meucerebro.com/

Pretende divulgar o conhecimento acerca do cérebro.

sábado, 11 de abril de 2015

Questões e modelos de avaliação e intervenção em Psicologia Escolar


Questões e modelos de avaliação e intervenção em Psicologia Escolar: o caso da Europa e América do Norte da autoria de João Lopes & Leandro da Silva Almeida, Estud. psicol. (Campinas) aqui

Abstract:
As práticas da Psicologia Escolar parecem ser cada vez mais marcadas pelas necessidades de referenciação/diagnóstico de crianças para o subsistema de educação especial, em detrimento do desenho e implementação de intervenções dirigidas aos problemas específicos dos alunos. A aparente insatisfação dos psicólogos escolares com essa tendência, bem como as dificuldades na utilização de modelos categoriais de diagnóstico em contexto escolar, têm dado origem à progressiva implementação de modelos alternativos de avaliação e intervenção, principalmente de modelos Response to Intervention, Curriculum-Based Measurement e Problem Solving. A controvérsia quanto à natureza verdadeiramente alternativa desses modelos parece, no entanto, longe de se esgotar. Neste artigo são discutidas vantagens e limitações dos diferentes modelos, de acordo com a melhor evidência disponível na literatura, e são ainda equacionadas as suas implicações nas práticas da Psicologia Escolar.
Keywords : Avaliação; Diagnóstico; Intervenção; Distúrbios da aprendizagem; Educação especial

O Psiquiatra Fernando Ramos - transtorno de déficit de atenção e hiperatividade

tdah: diagnóstico positivamente falso ou falsamente positivo?, com fernando ramos from cpfl cultura on Vimeo.

hoje tratamos cada vez menos doenças e mais mal estar
“em um mundo que valoriza tanto a atenção, não estaríamos podando a criatividade sobre outras habilidades, como as artísticas?”, questionou o psiquiatra fernando ramos durante o café filosófico cpfl sobre transtorno de déficit de atenção e hiperatividade
“os diagnósticos dependem da aplicação rigorosa de critérios psiquiátricos. mas na clínica não existe mundo neutro”. a afirmação foi feita pelo psiquiatra da infância e adolescência fernando ramos durante o café filosófico cpfl sobre “tdah: diagnóstico positivamente falso ou falsamente positivo?”
no debate, parte do módulo “medicalização fora do controle”, ramos relacionou o aumento dos diagnósticos de transtornos como déficit de atenção e hiperatividade com a pressão de uma ideia “normalidade” sobre as famílias e os psiquiatras. “as pessoas hoje chegam à clínica com pedido de tratamento medicamentoso. a pressão influencia a decisão do psiquiatra. isso explica o aumento dos diagnósticos falso positivos, quando a pessoa não tem aquela patologia.”
em sua apresentação, o psiquiatra afirmou que o termo “medicalização” ganhou uma conotação ofensiva nos dias atuais, mas não é um fenômeno recente. “a medicalização atinge a psiquiatria como atingiu outras áreas da medicina. a exemplo de remédios para hipertensão”, comparou. “no caso da hipertensão, o tratamento e os cuidados são relativos à propensão de enfermidades, mas não é uma patologia.”
o fenômeno da medicalização, segundo ramos, é um fenômeno do mundo pós-guerra, quando o estado de bem-estar social deu aos governos a responsabilidade de cuidar da saúde da sociedade. “hoje, no mundo do capitalismo pós-industrial, o estado não é capaz de oferecer proteção aos cidadãos. por definição, a falta de saúde não é a presença de uma doença, mas qualquer mal estar físico e mental. isso muda a abrangência do tratamento, e cria um mercado”, afirmou. “tratamos, portanto, cada vez menos doenças, e mais mal estar.”
nesse contexto, “se temos uma tecnologia eficaz para corrigir desvios ou desvantagens, como nos casos de transtornos mentais, isso passa a definir o diagnóstico”. para ele, é importante ter em mente que o ideal de bem-estar pleno, da forma como é definido, é um conceito inalcançável.
segundo ramos, o problema exige duas discussões. uma, definir quem tem o poder de aplicar diagnósticos; a outra, sobre como é pensada a ideia dos diagnósticos. “ao apresentar um desvio, a pessoa apresenta sofrimento ou perda de capacidade. mas não é uma patologia”, frisou.
ainda assim, o número de pessoas medicadas em razão de transtornos como déficit de atenção é cada vez maior. em alguns lugares, segundo o palestrante, a prevalência de crianças com tdah é de 10% da população. “hoje existem muitos especialistas em tdah, mas com pouca vivência de outras situações psicopatológicas. há crianças medicadas que não preenchem o diagnóstico de tdah e nem de outros transtornos mentais. são só mais impulsivas ou desatentas.” segundo ele, as pessoas não vão ter nunca as mesmas capacidades de concentração. “as pessoas têm temperamentos. em um mundo que valoriza tanto a atenção, não estaríamos podando a criatividade para outras habilidades, como as artísticas?”
ramos chamou a atenção para o fato de que quem recorre à ritalina para melhorar o desempenho escolar, muitas vezes, não são pessoas mal informadas. “pelo contrário”, disse. ele citou exemplos de pessoas que tomam medicamentos para missões pontuais, como passar na prova – o que exige uma análise ética sobre a conduta de quem fornece a receita médica.
“hoje em dia os pais me apresentam uma lista de reclamações dos filhos e eu pergunto: ok, mas o que eles têm de bom?” e, ao comentar a pressão sobre os pais para que os filhos não “fracassem”, encerrou: “é importante mostrar que o ‘fracasso’ do paciente é o fracasso da sociedade contemporânea”.

Pensamento 69: MUDAR A REALIDADE


Mude os seus pensamentos, muda a sua realidade

BOM FIM de SEMANA

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Despacho n.º 3446-A/2015; Despacho n.º 3446-B/2015

Despacho n.º 3446-A/2015 - Diário da República n.º 65/2015, 1º Suplemento, Série II de 2015-04-02, do Ministério da Educação e Ciência - Gabinete do Ministro - Primeira alteração ao Despacho n.º 15747-A/2014, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 251, de 30 de dezembro.
Datas da Componente oral do Preliminary English Test for Schools (PET), para os alunos do 9º ano de escolaridade.
Despacho n.º 3446-B/2015 - Diário da República n.º 65/2015, 1º Suplemento, Série II de 2015-04-02, do Ministério da Educação e Ciência - Gabinete do Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário
Primeira alteração do Regulamento de aplicação, classificação e certificação do Preliminary English Test for Schools (PET), aprovado e publicado em anexo ao Despacho n.º 2179-B/2015, de 2 de março.



ACEDER AQUI

Os melhores materiais sobre a União Europeia


Para lhe facilitar o trabalho enquanto professor, criámos a partir do material produzido pela Comissão e por outras instituições da UE uma lista com o melhor material didático sobre a UE para os alunos do ensino primário e secundário. Esse material, selecionado por um grupo de especialistas de toda a Europa, inclui brochuras, folhetos, jogos em linha, cartazes, sítios Web, desenhos animados, slides e vídeos. Está disponível em todas as línguas oficiais da UE.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Eduardo Sá numa entrevista que todos os pais deviam ler


Entrevista de Marta F. Reis no Jornal I de 6.4.15

Psicólogo clínico, psicanalista e professor de Psicologia Clínica. As crianças são o lado mais visível do seu percurso profissional que, contudo, não aconteceu por vocação, mas porque começou a trabalhar com crianças autistas. Eduardo Sá está convencido. 

É um dos psicólogos mais conceituados do país e abriu-nos as portas do seu consultório em Lisboa para uma conversa sobre a vida, os filhos, os pais e o futuro do país que, na sua opinião, passa por uma mudança radical na escola e um pacto de regime para resolver a crise de natalidade, mas também políticas mais responsáveis. Aos 52 anos, Eduardo Sá admite que ser mediático foi um acidente, mas que gosta de se sentir útil. Nada lhe enche mais as medidas que o amor.

Li que o Peter Pan é a sua história preferida, que gosta de pensar que nunca deixou de ser criança.
Às vezes tenho medo das coisas que digo e de ser demasiado literalizado quando a ideia não é essa. Eu não tenho a ideia de que a infância é o momento mais importante da vida e muito menos acho que seja pintada em tons de azul-bebé e rosa. Não tenho nada essa ideia. É mais porque acho que as pessoas se estragam de uma forma inquietante à medida que crescem. 

O que acontece?
Vamo-nos reprimindo e censurando. Temos os vícios de uma educação judaico-cristã que, em muitos aspectos, foi uma mais--valia para a humanidade, mas noutros talvez não seja. De repente ficamos com a noção de que, se nos soltarmos muito, podemos ficar perigosos, o que é mentira.

Como foi a sua infância?
Cresci em Leiria, com uma família muito alargada. Pela minha casa circulavam muitas pessoas. Tenho duas irmãs, mas era uma casa sempre cheia de primos. 

Numa cidade mais pequena, nesses anos 60, com o que é que sonhava?
Não tive logo o privilégio de ter uma televisão e lembro-me das tardes infantis e dos folhetins radiofónicos que nos convidavam a ser audiovisuais, a criar as personagens. Foi uma infância de grande criatividade e que atravessou esta fabulosa transformação da sociedade. 

O amor atrapalhou os estudos ou só veio mais tarde?
Devia ter atrapalhado mais. Eu nunca me dei muito mal na escola, era bom aluno, mas tive de aprender a gostar. Tive alguns professores que guardo religiosamente na memória, mas devia ter tido muito mais professores daqueles mágicos, que nos viram do avesso. Ainda assim, não era um rebelde encartado.

Era um betinho?
Também não, mas era certinho. Embora jogasse râguebi. Era popular.

Sempre quis ser psicólogo?
O meu primo Oliveira e Sá era director do serviço de Medicina Legal em Coimbra e foi sempre um homem muito influente na minha vida, assim como o meu pai. Ele gostava que eu fosse para medicina legal e, como eu tinha boas notas, lá em casa a ideia da medicina era uma coisa muito acarinhada. 

Acarinhada ou forçada?
Acarinhada. Na altura não havia 12.o ano, era o chamado ano propedêutico, e tínhamos um prazo-limite em que podíamos mudar de opção. E foi só no último dia que às 17h menos dez, eu fui alterar a minha opção de Medicina para Psicologia. Isto porquê? Apesar dessa ideia da medicina, tinha uma professora de Psicologia muito importante para mim que me fez seguir outro caminho. Eu achava fantástico tudo o que era vida mental e, de repente, tinha uma mulher à minha frente que, de forma apaixonada, falava disso tudo.

Teve alguma paixoneta pela professora?
Não, de todo. Era fascinante a forma como ela falava daquilo, como se envolvia. Sentia que finalmente via respostas para os muitos enigmas que eu tinha coleccionado na adolescência.
Então, apesar de popular, era um rapaz introspectivo. 
Sim, muito. Nessa altura era muito intimista, escrevia poesia. E, portanto, à última hora decidi mudar.

E o pai não se chateou? 
Um dia, no máximo, mas também percebeu que aquilo era tão forte para mim que não criou obstáculos. Se tivessem, não sei se teria tido força para lutar contra isso, pelo respeito que lhes tinha. Mas não aconteceu. Às vezes é isso que acontece.

A vocação para o trabalho com crianças e jovens foi imediata?
Não é uma vocação. Fiz um curso absolutamente normal e depois, na parte clínica, tive a sorte de ter um professor que me direccionou para o trabalho com crianças muito perturbadas, com autismo grave. E aí tive o meu primeiro grande desafio: para quem achava que tinha estudado os grandes autores da psicanálise, de repente via-me com crianças que não falavam bem a minha linguagem e em relação às quais tinha de mudar completamente a forma de comunicar. E tinha de fazer uma coisa, na altura, muito difícil. As crianças lêem-nos os olhos e sentem-nos muito bem.

Mesmo essas crianças?
Mais ainda que quaisquer outras. E, portanto, não fazia muito sentido eu estar envolvido naquela leitura tão aparentemente complexa quando me faltava tudo para fazer a quadratura do círculo.

Foi um banho de realidade?
Sem dúvida, foi a melhor escola que podia ter. Ajudou-me a perceber que, às vezes, quando somos formados para sermos psicoterapeutas, ensinam-nos a ser um bocadinho falsos e, quando trabalhamos com crianças, ou somos transparentes e autênticos, ou aquilo que os nossos olhos dizem condiz com as nossas palavras, ou então perdemo-las. 
Nessa vertente mais pública do seu trabalho apostou na informação sobre parentalidade. Ser pai é uma tarefa difícil?
Tenho medo de dizer que é difícil, porque isso é quase sinónimo de dizer que é feita de uma aragem muito fria. A minha resposta é que tudo é muito difícil porque tudo é muito complexo e, depois, depende da nossa inteligência e das parcerias que estabelecemos para tornar o complexo simples. Evidentemente que não é fácil ser pai.

E nunca estamos preparados?
Acho que nunca estamos preparados para coisa nenhuma porque a vida tem essa capacidade imprevisível. Mas isso não é mau, torna-nos atentos. Tenho medo até dos pais que querem preparar-se tão bem que, de repente, perdem a hipótese de aproveitar tudo o que é equipamento-base: o sexto sentido e uma capacidade absolutamente comovente de criar laços.

Tem quatro filhos. São parecidos consigo?
A mais velha tem 28 anos e o mais novo tem 19. Os meus dois filhos mais velhos são meus colegas. E houve uma altura que fiquei um bocado inquieto com isso.
Com a hipótese de terem sofrido alguma lavagem cerebral?
Não, disso tenho a certeza que não. Preocupavam-me duas coisas: que o quisessem ser exclusivamente porque eu o era ou que não quisessem ser só porque eu era, como se eu fosse um obstáculo a um sonho que pudessem ter. Eles insistiram e foram por aí mas, com eles, sou sobretudo pai, não andamos a discutir questões técnicas.

E os mais novos?
Os mais novos estão os dois a estudar Gestão. Confesso que foi um alívio.
Qual foi o maior erro ou disparate que fez com um filho seu? 
Cometi tantos erros que tenho dificuldade em dizer. Mas há um que até foi divertido. Tive um professor que um dia me chamou e disse: vais ser professor, vais ter alunos mais velhos que tu e, por isso, vou ensinar-te um truque infalível para quando te fizerem uma pergunta a que não saibas responder. Então o truque era o seguinte: quando houver uma pergunta dessas, não deveria olhar bem para o aluno, mas em direcção ao absoluto, levantar a sobrancelha, fazer uma ligeira pausa e dizer com um ar muito sério: “Ora aí está uma boa pergunta.” E o aluno ficaria tão vaidoso que se ia esquecer. 

E se se lembrasse?
Perguntei-lhe e ele respondeu: com a mesma postura, tinha de perguntar ao aluno o que é que ele achava e depois dizer: “Está a ver como sabia?” 

E fez isso com um filho?
Um dia andava a passear com a minha filha e ela olhou para o céu e perguntou o que é que a lua estava ali a fazer. Esqueci-me que era minha filha e disse: “Boa pergunta.” A função dos nossos filhos é obrigarem-nos a continuar a crescer, mas esqueci-me disso. Ela insistiu, eu perguntei-lhe o que é que ela achava e ela disse que a lua estava no céu a fazer estrelas. Achei uma solução fantástica mas, se me tivesse armado em pai, podíamos ter discutido os dois, chegado a uma solução, é isso que os pais devem fazer.

E o que mais o orgulha?
Adoro ser pai, tenho dificuldade em escolher. E acho o máximo chegar ao fim-de--semana e estarmos todos por ali.

Vivem todos consigo?
Não, mas ao fim-de-semana estamos juntos. Não é só encontrarmo-nos, os programas são fascinantes, desde os mais exóticos a estarmos todos juntos a sofrer pelo Benfica.

Pensamos sempre que não vamos fazer as mesmas coisas que os nossos pais. É mentira?
Tenho muito medo daqueles pais que têm a ideia de que criam uma família do zero. Muitas vezes estão tão presos à sua experiência que não sentem os filhos, não os conhecem e parecem estar sempre a fugir das experiências que os magoaram ou de maus exemplos. Faz lembrar uma porta giratória: tentando de tal forma escapar, acabam por ir dar ao mesmo sítio, ter as mesmas consequências.

O que mais o incomoda nos pais que vêm ao consultório?
Os que vêm ao consultório não me incomodam assim tanto porque, se aparecem, é porque se põem em dúvida. Preocupa--me é aqueles pais que, em vez de quererem ter filhos, querem transformá-los numa espécie de troféus.

E há muito disso?
Acho que há. E também porque há cada vez menos crianças e, quanto mais a relação com a infância é diminuta, mais as pessoas sentem uma vertigem maior. Costumo dizer que só começamos a ser pais ao segundo filho; o primeiro é sempre uma criança em perigo. Mistura-se tudo: os pais que tivemos, os pais que desejávamos ter tido, os pais que desejávamos ser, os filhos que imaginamos construir. Preocupa-me que os pais transformem os filhos quase num projecto de carreira e que não lhes dêem espaço para crescerem como deve crescer, com regras mas com liberdade, com espaço para todos errarem.

Tem muitos casos em que os problemas dos jovens resultam dos pais?
Claro que os pais têm muita responsabilidade por muitas coisas, mas o importante é que, se pudermos ajudá-los e pudermos tornar as crianças mais simples e acessíveis, não tenho dúvidas de que são absolutamente fantásticos.

Que erros se cometem mais vezes nessa relação?
Acho que os pais falam de uma forma muito complicada. Acho uma ternura que, quando estão tensos um com outro, tenham aquele devaneio quase infantil de dizer que não discutem à frente das crianças, que elas nunca percebem que as coisas estão mal. Quando um pai e uma mãe estão zangados, só faltam terem luzinhas. Acho que, às vezes, falta transparência na maneira como se fala com as crianças. Não no sentido de as pôr ao nível dos pais…

O que acontece muitas vezes?
Sim, há esse reverso da medalha quando pai e mãe estão num campeonato diferente. Mas, às vezes, fala-se às crianças como se fossem mais ou menos débeis, quando elas são brilhantes na acutilância com que percebem as coisas. 

Temos filhos cada vez mais tarde. Perde-se ou ganha-se alguma coisa com isso?
Sendo pai mais tarde, tem-se mais experiência de vida, pelo que pode ser bom. Mas a experiência que se ganha sendo mãe ou pai – e quem sou eu para recomendar o que quer que seja – é tão completa que não merece ser adiada. Dito isto, é verdade que Portugal é um país estranho, muito pouco amigo das famílias. Nunca houve uma discussão verdadeiramente séria sobre isso e seria crucial.

Mais trabalhos a tempo parcial ou vantagens no IRS serão a solução?
Haverá muitos aspectos, mas o financeiro é crucial. Um filho custa muito dinheiro por dia. Às vezes, acho que as pessoas que têm responsabilidades políticas não são tão sérias como deviam ao falar destas coisas. Gostava que explicassem aos cidadãos como é possível ter dois ou três filhos entre os zero e os seis anos com os jardins-de-infância a custarem mais por mês do que uma universidade privada. A ideia de que educamos os nossos filhos nas lojas dos 300 é algo que as Finanças insistem em imaginar, mas que é um absurdo. E acho inacreditável que, de há muitas Presidências da República para cá, isto nunca tenha sido um compromisso de regime. 

Além das dificuldades materiais, ouvimos muitas vezes o desabafo: para quê pôr uma criança neste mundo? Como o vê?
Acho que é um bocado vaidoso. Quando olhamos para trás e pensamos nos nossos antepassados, acho que o mundo em que vivemos fica mais fácil. Apesar de tudo, acredito que o mundo tem crescido para melhor e parece-me completamente disparatado só pensar no mal. Se formos menos vaidosos e gananciosos, percebemos que, todos juntos, fazemos melhor muitas coisas que têm, por vezes, um mau uso e podem ser usadas em proveito de todos.

Entretanto, e enquanto se aguardam mais medidas, a ministra das Finanças mandou os jovens multiplicarem-se. Que solução vê para esta crise de natalidade?
Acho que o primeiro passo seria aumentar significativamente o vencimento de quem tem cargos políticos e começar a eleger pessoas que assumam responsabilidades e não tenham observações infelizes como essa. Acho que a política tem de ser reabilitada e temos de discutir o que queremos do mundo, das pessoas, do futuro, e isso é um debate de convicções urgente.

E não tendo começado na política partidária, sente-o entre as pessoas?
Sem dúvida. E acho importante que existam novos movimentos. Só acho inquietante que se fique pelo “podemos” quando podíamos ir ao “queremos”. 

Segue esses movimentos com atenção?
Sim. Acho que são interpelações muito sérias aos partidos políticos e a uma certa distracção incompreensível que foram tendo em relação às questões fundamentais, tanto à esquerda como à direita. Acho que foram cedendo com uma facilidade inquietante ao populismo e esqueceram--se de que as pessoas não são o que alguns programadores de televisão imaginam, que consomem sobretudo filmes de série B e “Casa dos Segredos”. 

A escola tem estado em convulsão nos últimos anos e, mais recentemente, houve este apelo para eliminar os chumbos. Que diagnóstico faz? 
Costumo dizer que acho que a escola devia fechar para balanço e abrir com nova gerência.

O que está mal? 
Há muitas coisas que estão mal e os ministros também, às vezes. Não temos nada mais importante que a escola. Se o mundo, em particular este lado ocidental, mudou alguma coisa nos últimos séculos, foi sempre de dentro para fora da escola. Não tenho dúvidas de que é a invenção mais bonita da humanidade. Tornar o ensino obrigatório foi a verdadeira revolução tranquila de que temos a obrigação de nos orgulhar. Tenho medo que o ensino público fique demasiado constipado e que, de repente, uma revolução como esta se esteja a transfigurar. 

Com que impacto?
Além dos impactos individuais, não podemos esquecer que a escola é a forma mais simples de democratizarmos o mundo, é a forma de, a priori, seja qual for a porta de entrada, as pessoas crescerem em função das suas competências e não tanto em função dos seus apelidos e da sua classe social. Pode ser a verdadeira entidade reguladora da vida. 

O que devia mudar?
Tantas coisas… Acho uma patetice separar o ensino obrigatório da educação infantil, que devia ser tendencialmente gratuita e para todos. Devia ser proibido ensinar a ler e escrever nos jardins-de-infância. De repente, estamos a espatifar um recurso fundamental: não é pelo facto de as crianças serem bons macacos de imitação que aprendem a pensar e, ao ensinar escrita e leitura aos quatro anos, estamos a impedi-las de ter essa experiência profunda na idade certa. Acho que devia ser proibido haver turmas de primeiro e turmas de segundo nível e ser possível haver escolas só de raparigas e só rapazes.

Mas sempre houve.
Não faz sentido porque, se existe uma ideia da educação, é a de integrar. Acho que, se queremos acarinhar o sucesso educativo, devíamos acabar com aulas expositivas de 90 minutos e recreios de 10 minutos, quando brincar devia ser património da humanidade. A escola teima em estragar a criatividade das crianças. É incompreensível que tenhamos Matemática e Português como disciplinas de primeira e Educação Musical, Visual e Física como disciplinas de segunda. Acho que as crianças têm cada vez mais tempo de má escola e, quando dizia “parar para balanço”, é no sentido de termos de pensar nisto com seriedade – pais, professores e quem decide as políticas. Neste momento, o que estamos a fazer é transformar as crianças pequeninas em burocratas de fralda, depois tecnocratas de mochila e depois acabam todos mestres aos 23 anos, como se fosse possível.

Os seus filhos andaram na escola pública ou na privada?
Foi sempre na escola pública até eu me ter zangado, depois de um incidente infelicíssimo com o meu filho Pedro, mais novo.

Um incidente académico?
Era um professor que invariavelmente lhes chamava estúpidos nas aulas. Eu fui ter com a directora de turma e pedi delicadamente para trazer algum comedimento àquele professor porque, se o meu filho chamasse uma vez que fosse estúpido a um professor, eu acharia muito grave. A directora deu-me a única resposta que nunca aceitaria: não deve levar tão a sério aquilo que as crianças dizem porque elas inventam muitas coisas. 

Percebe os pais que põem os filhos na escola privada?
Receio que, às vezes, os pais o vejam como a única solução quando a escola pública sofre, de facto, de carências inacreditáveis. Quando falamos do preço do aluno por ano, esquecemo-nos de que a escola pública é o sítio mais inclusivo do mundo, e isso acresce os custos, que não podem ser iludidos por quem têm responsabilidades. Agora, é preciso combater a ideia de que as escolas são tanto melhores quanto mais exclusivas forem. E é isso que está a pegar. Temos cada vez mais jardins-de-infância em Lisboa que, em vez de terem muitos meninos, têm seis ou dez. E fico escandalizado quando conheço colégios católicos que convidam as crianças a sair para não enviesarem os rankings. 

A pluralidade é uma vantagem no ensino?
Sim. Todas as crianças têm necessidades educativas especiais, mesmo quando têm boas notas. Podem ter óptima nota a Português e a Matemática, mas não se safam à baliza nem a jogar à bola, falta-lhes confiança. E o nosso papel enquanto educadores é esticar todas essas potencialidades gigantes que as crianças têm e levá--las a aprender umas com as outras.

Um tema que está na ordem do dia é a criação de uma lista de pedófilos a que os pais poderão aceder. Como vê esta ideia?
Não percebo a leveza com que se tem discutido os abusos de menores na sociedade portuguesa, o que começou na Casa Pia e continua hoje. É um atentado à vida de uma criança e merece respostas concretas, mas tenho muito receio desta ideia, de Estados voluntaristas, e que a certa altura haja milícias populares, casais de justiceiros.

E conhecendo a natureza dos pais, é o mais provável?
Sim. Não acho nem sensato nem prudente, de todo.

Tivemos três anos de resgate financeiro e caminhamos agora para eleições. Como é que olha para o país?
Para começar, sinto muito mal-estar quando vejo que foram suprimidos alguns e como isso liga com a forma como a história é mal ensinada às crianças. Só temos direito a ter futuro quando acarinhamos a história. Preocupa-me, depois, a voracidade com que, às vezes, se tenta conquistar o poder e como alguns políticos reconhecem que não se ganham eleições falando verdade.

Ao ponto de se arreliar com períodos de campanha? 
Fico furioso.

Mas vota ou engrossa a abstenção?
Voto sempre.

Sabe em quem?
Sei. Sou um homem de esquerda.

Falou-se muito da marca da crise nos adultos, na desesperança. Nas crianças e jovens, que marca ficou?
Na psicologia, temos a ideia de que as crises são sempre oportunidades de crescimento, nós é que parece que diabolizamos sempre o que nos pode ajudar a crescer. O contrário da crise é um impasse. Se calhar, fui ficando mais preocupado com essa atmosfera de impasse e quase de euforia com que fomos crescendo durante muitos anos, como se, de repente, tudo tivesse um preço e não fosse preciso integridade, aquela fórmula infelicíssima, que se banalizou, de que o importante não é viver, é saber viver.

Portanto, acreditou que a crise podia ser terapêutica? 
Acreditei que a crise pudesse obrigar os pais a fazer escolhas e que, nessas escolhas, pudessem ser mais claros nas convicções que têm, passando isso aos filhos. Preocupa-me que os pais que passaram dificuldades tenham saído muito mais azedos e muito pouco restaurados. E que isso passe para os miúdos que estão no 10.o e é como se estivessem na pré-reforma. Não acreditam nos sonhos.

O que o faz mais feliz, além dos filhos e do Benfica?
Escrever histórias, ficção e não só. Interpelar pessoas desconhecidas, recriar, dá--me muito prazer.

E que amor lhe sabe melhor neste momento: de pais, de filhos, da mulher?
Nisso, não há dúvidas: acho que o amor adulto é o topo-de-gama dos amores.